E a águia Vitória?

E a águia Vitória?

Só quem não foi ao Estádio da Luz nos últimos anos pode achar que o fim da presença da águia Vitória é um “fait-divers”. Não se trata de celebrar benfiquismos mas de reconhecer o poder mobilizador de massas daquele voo inicial. O passarão era o sonho de qualquer gestor de marketing.

Os clubes são marcas e “Benfica” é a mais potente em Portugal: a que atrai mais audiências televisivas, mas amigos nas redes sociais, mais receitas de “merchandising” e mais adeptos nos estádios. Só não é mais abrangente que outra: a Seleção Nacional.

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Quem joga tem de ganhar jogos, quem treina tem de ganhar campeonatos, quem gere tem de ganhar dinheiro, quem preside tem de ganhar tudo. Atrair espectadores aos estádios é não apenas uma fonte de motivação para dentro das quatro linhas, mas sobretudo de receita para quem está fora delas. E as pessoas só vão aos estádios se o espetáculo é bom. A águia era isso: espetáculo. Um minuto de êxtase da “família” benfiquista, que simbolizava a “mística” do “glorioso” – tudo palavras de gestor de marca...

Há milhares de adeptos que irão aos estádios mesmo que chovam pedras. Mas muitos outros milhares vão porque querem participar numa experiência, confortável, diferente e gregária. Na Luz ou em Guimarães, onde as audiências são impressionantes.

O voo da águia fez mais pela assiduidade de benfiquistas no estádio que milhões de euros em campanhas de marketing, operações coração ou convocatórias a 300 mil sócios exigidos contra a cabeça do presidente. Se a águia emigrou foi porque clube e proprietário se desentenderam quanto ao preço – a águia talvez fosse benfiquista, mas o seu treinador era como um agente de jogadores: quis negócio.

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Para afastar adeptos dos estádios já basta a crise. O Benfica vai ter de tirar um coelho da cartola. Quer dizer: uma águia.

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