E agora, Jesus?

E agora, Jesus?

Num clube como o Benfica, a medida do sucesso tem, no essencial, três dimensões: títulos, qualidade do futebol e mais-valias financeiras. Se olharmos para os anos que Jorge Jesus leva de treinador, ninguém hesita em classificá-los como tendo sido um sucesso nas duas últimas dimensões. Um futebol avassalador, mesmo que à beira do precipício, e uma capacidade de valorizar jogadores e realizar vendas sem paralelo na história do clube. Comparando a performance de Jesus com a dos seus antecessores – o simpático Camacho e o inenarrável Quique Flores –, então a avaliação é ainda mais positiva. Nos últimos 15 anos, há um antes e depois de Jesus no Benfica.

Mas, hoje, Jesus está numa posição muito frágil e que em muitos momentos parece mesmo irremediável. Quais são os problemas que o treinador do Benfica enfrenta?

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No futebol, como em tudo na vida, o presente é lesto a apagar as memórias positivas do passado – bastaram três ou quatro jogos falhados para nos esquecermos do futebol jogado há seis meses – e ou o Benfica recomeça a jogar futebol rapidamente ou Jesus terá o seu lugar a (muito curto) prazo; depois, a ausência de humildade do dono do banco do Benfica não se compadece com qualquer fracasso. Nos momentos de insucesso, Jesus paga o preço da jactância com que celebra as vitórias: ao “rei da tática” ou ao “doutorado em futebol” não é permitido falhar. No fim, o essencial: o Benfica não pode não ganhar o campeonato nacional este ano.

No fundo, Jesus está hoje perante um cenário radicalmente diferente do das quatro temporadas anteriores. Até ver, nenhum dos critérios para medir o seu sucesso tem avaliação positiva: não ocorreram os encaixes financeiros previstos, logo o plantel está, em teoria, muito mais forte, mas surpreendentemente o futebol jogado tem sido paupérrimo e já se ofereceu uma margem de avanço confortável ao Porto. Sendo que estamos, imagine-se, em setembro, e com o espetro das mortes na praia do ano passado ainda a pairar na mente dos jogadores. Agora, sim, Jesus vai enfrentar um verdadeiro teste como treinador do Benfica.

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