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O elo afetivo entre Ronaldo e os adeptos do Real Madrid está em risco. Quando o craque português entrar hoje em campo, frente ao Deportivo da Corunha, poderá avaliar-se a profundidade do dano causado por uma celebração festiva pessoal, em dia de vergonha coletiva.
Ou Ronaldo reage hoje com uma grande exibição, recheada de novas coreografias, ou a memória da traição ao luto causado por uma traumática derrota, frente ao rival da cidade, vai perdurar e poderá mesmo colocar em causa a continuidade de Ronaldo no plantel do Real Madrid.
O jogo de hoje é o ideal para a reabilitação afetiva do grande jogador. O adversário é fraco e dócil. Tudo depende da capacidade de reação de Ronaldo a uma conjuntura muito adversa. Se a estrela estiver para brilhar, poderá selar as pazes com os adeptos, golo a golo.
É incompreensível a armadilha em que um grande profissional como Ronaldo se deixou cair, horas depois de sofrer quatro golos sem resposta do Atlético de Madrid.
É certo que Ronaldo somara 30 anos alguns dias antes. A derrota coletiva deveria ter levado Ronaldo a cancelar aqueles momentos de gozo pessoal? A maioria das vozes portuguesas têm defendido que não. Que o homem tem direito ao seu espaço, após despir a farda de trabalho. Como se Ronaldo fosse um operário, ou um médico. Mas Ronaldo é um guerreiro. O mais amado dos heróis. O futebol só gera fortuna e fama por ser um desporto que se tornou um espectáculo metafórico da guerra.
As tribos do futebol não gostam de chorar a derrota e a humilhação numa decisiva batalha, enquanto o seu herói se diverte indiferente à dor coletiva.
Como se a derrota, a vergonha, a insónia fossem deles, só deles, e não dos jogadores que o seu amor torna milionários. Ronaldo terá uma palavra decisiva, dentro de algumas horas.