Sem espinhas. Portugal, mesmo sem golear nenhum dos adversários, fez o que todos esperávamos: mostrou que, não sendo "cabeça de série", era a equipa mais forte do Grupo D do Mundial. Consequentemente, a qualificação para os oitavos-de-final foi assegurada com classe, justiça e até antecipação, algo raro no futebol português, historicamente dado a contas de última hora.
Angola, Irão e México já fazem parte do passado e, sinceramente, só uma catástrofe poderia ter-nos impedido de seguir em frente. Futebolisticamente falando, a Selecção Nacional é muito superior e limitou-se a demonstrá-lo, sem precisar de exibição de encantar, no local certo: dentro do campo.
Agora, claro está, é que o Mundial vai começar a sério. Acabou a fase onde era possível emendar um qualquer erro de percurso. A partir do próximo domingo, quando reencontrarmos a Holanda (de boa memória no Euro'2004), é que as coisas irão tornar-se mais interessantes e, provavelmente, mais complicadas.
Mas, convenhamos, Portugal tem de continuar a ser igual a si próprio. Gostei de ver a equipa não ficar à espera do México, mesmo não tendo necessidade de ganhar o encontro. Se os pupilos de La Volpe queriam vencer, quando "despertaram" já tinham sofrido dois golos. E para que tal sucedesse nem foi necessário recorrer a gente como Ronaldo ou Pauleta.
É verdade que Portugal nunca ganhou um Europeu ou Mundial a nível sénior. É igualmente correcto afirmar que a nossa história está repleta de situações de "quase, quase...", mas creio que já chegou a hora de se assumir, em definitivo, que Portugal é uma das potênciais internacionais. Por isso, o objectivo só pode ser um: chegar à final e vencer.
Mas, mais do que dizer da boca para fora que Portugal pode acabar com um sucesso em Berlim, é preciso acreditar nessa possibilidade. Scolari, embora sempre exigindo apenas um posto nos quartos-de-final, nunca escondeu que essa é uma hipótese real. Os jogadores, tradicionalmente avessos a esse tipo de declarações, também já vão falando, sem gaguejar, do tema. Dá para ver que começam a acreditar. Nós, que estamos de fora, só temos de os fazer sentir que também acreditamos. Será fácil? Não, claro, mas alguém se lembra de um campeão mundial que só tenha tido facilidades? Isso não existe!
Em resumo, domingo, é dia de tratar da Holanda. Depois, logo pensaremos nos ingleses ou equatorianos. Eles que se cuidem!