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E se Jesus estivesse do outro lado?

E se Jesus estivesse do outro lado?

José Maria Pedroto, o homem que na distante década de 70 do século passado lançou com Jorge Nuno Pinto da Costa as bases do moderno FC Porto, era um mestre da palavra. Era também, dizem os que o conheceram, um mestre como treinador, mas sabia, muito antes deste tempo da comunicação em que vivemos, a força da palavra. São dele célebres expressões como "roubo de igreja" e o seu herdeiro mais legítimo sempre foi, por forma de ser e de pensar, António Oliveira.  Lembrei-me de Pedroto quando, no domingo, vi Oliveira com o desassombro de quem sempre diz o que pensa explicar que com "Jesus, a treinar esta equipa o Porto já tinha 10 ou 12 pontos de avanço".

António Oliveira disse em voz alta o que muitos portistas dizem à boca pequena, somando a este argumento principal, uma chuva de críticas a Lopetegui, acusado de, além da incapacidade técnica para gerir um plantel de grande qualidade, ter um discurso irrealista. António Oliveira é um homem demasiado inteligente e nunca dá ponto sem nó. Já na época passada - e o plantel era diferente, para pior - tinha sido muito crítico de Paulo Fonseca, criando a imagem do piloto que não estava preparado para conduzir um Ferrari. Ao colocar-se como uma consciência crítica, sem nunca afrontar diretamente o presidente e muito menos o seu legado, posiciona-se para o futuro. Ele dirá que não e nós cá estaremos quando chegar o momento.

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Jorge Jesus, talvez com pena de Pinto da Costa, está do outro lado. Com aquela manha que lhe vem dos tempos em que andou  nos bancos de pequenas equipas, como o Amora e o Felgueiras, ou de outras de média dimensão, como V. Setúbal ou Belenenses,  Jesus (um grande estudioso de futebol, que ninguém duvide) meteu o milionário FC Porto de Lopetegui no bolso e já se está a ver outra vez no Marquês, o que, para ele, é bem mais importante do que a Champions, onde fatalmente um grande da Europa lhe interromperia o caminho.  No jogo do Dragão, o Benfica não jogou muito, nem jogou bem. Jogou com a atitude e o pragmatismo que não teve na Liga dos Campeões, jogou com Lima (não é um detalhe) e foi muito eficaz perante um adversário que não teve sorte nem arte a atacar, que foi incompetente a defender e que baralhou tudo no momento em que teve que mudar.

Os pecados que os críticos apontaram a Julen Lopetegui, e que ele parecia estar a corrigir, vieram outra todos ao de cima, o que é péssimo para um treinador que, por manifesta teimosia ou apenas feitio, leva tempo a mudar mesmo quando as coisas entram pelos olhos dentro.  E agora? Agora ainda está tudo em aberto. O Benfica é favorito mas Jorge Jesus sabe, por experiência própria, que o FC Porto não entrega os pontos. E que, por teimosia ou convicção, Lopetegui dará luta. No fim fazem-se as contas.

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Convidado surpresa

São cinco vitórias consecutivas, "apenas" oito pontos de diferença para o líder Chelsea e o terceiro lugar, para já, na Premier League. Após um arranque de época catastrófico, assim vai o Manchester United de Louis Van Gaal e o facto deve ser tanto mais valorizado porque uma onda de lesões sem precedentes tem assolado o plantel, obrigando o holandês a soluções de recurso todas as semanas. Se a (má) condição física de Falcão, por exemplo, não parece ser uma novidade - tenho dúvidas que ele volte a ser o jogador que foi - baixas como as de Di Maria diminuem muito o rendimento da equipa. Sem brilho, mas com pragmatismo, afinal o ADN das equipas de Van Gaal, o United pode ser o convidado surpresa na luta pelo título inglês. A Premier League é a melhor do mundo.  ~

Ganhar é fácil

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Com a inesperada queda do Borússia Dortmund, o Bayern Munique ficou ainda mais só na Bundesliga. Não deixa de parecer contraditório que, sendo o campeonato alemão um dos mais disputados e vibrantes da Europa, onde as assistências são mais elevadas e a organização exemplar, haja depois uma espécie de vencedor antecipado porque - mérito dos bávaros - a diferença entre o Bayern e os seus competidores é cada vez maior. Há dois anos ganhou com 25 pontos de vantagem,   na época passada, a primeira de Pep Guardiola, com 19. Esta época o avanço situa-se nos nove pontos e a superioridade é evidente. A equipa ainda não perdeu qualquer jogo, já marcou 37 golos e sofreu apenas três. Guardiola impôs o seu modelo e foi inteligente: escolheu um clube onde é fácil ganhar.

O homem que não pode falhar

Num artigo, lê-se que 90 por cento dos internautas que participaram numa pesquisa online apontam o dedo a Luis Enrique. Noutro que o treinador nunca repetiu o mesmo onze em 22 partidas, noutro - entre tantos - que ele já perdeu o dobro dos pontos de Tata Martino, o argentino mal amado que na época passada, de emergência, foi chamado para o banco do Barça. Será caso para tanto? Feitas as contas a equipa continua na Champions e está a apenas quatro pontos do Real Madrid na Liga.

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Qualquer análise desapaixonada permite concluir que Luis Enrique ainda não encontrou o modelo de jogo ideal, que a equipa depende muito de Messi (como qualquer equipa dependeria) e, já agora, que o Real Madrid não cede, o que aumenta a pressão. Isso é tudo verdade mas não justifica o melodrama que envolve Luis Enrique, um jovem treinador a pagar o preço da sua pouca experiência e da incapacidade para se impor dentro do balneário e na relação com a imprensa. Ou ganha ou não tem futuro. A tolerância não existe.

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