EDITORIAL: O FC Porto de parabéns

A viver dias de glória, o FC Porto juntou sábado o mais que esperado título de futebol a uma série de outros com que tem alegrado, na presente temporada, os adeptos do clube.

E não é este, na verdade, um título qualquer.

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O FC Porto acaba de tornar-se na primeira equipa a ganhar o Campeonato Nacional de futebol pela quinta vez consecutiva: o ambicionado penta. E se um título, muitas vezes, é ganho por muito pouco (um ponto, um golo), dando azo a polémica e discussões, cinco títulos não deixam margem para dúvidas.

A supremacia do FC Porto é real e indiscutível, assim como o mérito da equipa, a mais competitiva do Campeonato.

Por detrás destes êxitos, que marcam uma época e fazem história, está um clube mais profissional do que os concorrentes, capaz de concentrar-se no essencial, melhor organizado na prospecção do mercado, detentor de um projecto-base que perdura para além dos treinadores.

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Se o orgulho de representar uma região dá força ao clube e motiva os atletas, possuir essa estabilidade nas ideias acaba por ser o trunfo mais importante perante uma concorrência que voga ao sabor da conjuntura e encontra permanentemente desculpas para justificar as derrotas no campo de jogo.

O FC Porto chega ao pentacampeonato sob a orientação de técnicos de escolas diferentes: Bobby Robson, António Oliveira e Fernando Santos. Cada um tinha, e tem, as suas ideias. Todos respeitaram o plantel do clube, a espinha-dorsal que tem garantido, época a época, a transmissão da mística.

Tal como todos os outros clubes, o FC Porto tem tido a necessidade de vender. Foi assim com Paulo Futre, Rui Barros, Vítor Baía, Fernando Couto, Secretário, Domingos, Sérgio Conceição, entre outros menos importantes. Mas o clube vende pontualmente para sobreviver assegurando sempre o fundamental: a manutenção do núcleo base. A transição que antigamente era promovida por João Pinto e André, está hoje a cargo de Jorge Costa, Paulinho Santos, Aloísio e outros. O FC Porto conseguiu, aliás, recuperar muitos dos atletas que vendeu, mercê da atenção com que nunca abandonou o acompanhar das respectivas carreiras.

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É este privilegiar da componente desportiva, o saber que não há manobras de diversão na Liga, na FPF ou noutros circuitos que substituam uma boa equipa, que faz a força do FC Porto. Assim como também conta a preservação dos verdadeiros símbolos -- e todos se lembrarão da forma como Pinto da Costa resolveu, na época anterior, o conflito que a determinada altura se abriu entre António Oliveira e Paulinho Santos.

Têm, pois, o FC Porto e a respectiva massa de simpatizantes, todos os motivos para se sentirem felizes. A equipa foi a melhor do Campeonato, tem um goleador (Jardel) que é o mais produtivo da Europa, uma Direcção atenta ao futuro e um treinador tão discreto como capaz.

Este ano, aliás, marcou uma grande transição no clube. O FC Porto de hoje tem outras preocupações com a imagem. É um clube mais distendido, mais moderno, menos crispado - e nem por isso, como se vê, menos capaz de ganhar, de continuar a erguer a bandeira de uma região que nele se revê e dele se orgulha.

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Por todas estas vitórias, o FC Porto está de parabéns.

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