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Sou desde a primeira hora um apoiante de Scolari. Não porque seja hoje o treinador campeão mundial e vice-campeão europeu, mas apenas porque se trata de um homem que mostrou ser capaz de não alinhar ao lado dos "lobbies" e pensar pela sua própria cabeça. Tal como havia sucedido na novela Romário, aguentou todas as pressões - e elas foram muitas - e soube manter-se fiel às suas ideias.
Não faço parte do grupo de entendidos que considera que Scolari mudou a equipa devido aos fantásticos conselhos dos jornais ou às maravilhosas análises dos nossos técnicos de pacotilha. O seleccionador português ganhou a equipa mostrando ser capaz de defender tudo e todos contra os muitos ataques - e, recorde-se, eles foram mesmo mais do que muitos - vindos de fora. Não foram os velhos que saíram da equipa para dar lugar aos novos, foram os que estiveram mal que saíram para dar lugar a outros. Não foram só Couto e Rui Costa a ir para o banco de suplentes. Paulo Ferreira, o jogador mais caro do defeso nacional, comprado pelo génio Mourinho, apenas saiu de lá na final e devido à lesão de Miguel. E o médio do AC Milan foi quase sempre a primeira arma secreta. Porque Scolari acreditava nele.
Acredito que Rui Costa não esteja muito satisfeito com Scolari. Mais do que natural, é humano. Mas é por isso que fui, sou e serei sempre a favor da contratação de um treinador estrangeiro de créditos firmados para chefiar o nosso futebol. Porque não tem medo de Pinto da Costa, está-se borrifando para Luís Filipe Vieira, não quer saber de Dias da Cunha e não teme os confrontos com os nossos maiores craques. Figo está a jogar mal? Vai para o banco. Se Oliveira tivesse tido essa coragem na Coreia, a nossa imagem (e a do próprio jogador) teria saído bem mais defendida.
Espero que Scolari não pense que este segundo lugar no Europeu conquistou o coração de todos os portugueses. Se pensa, está muito enganado. As aves de rapina do nosso futebol - e de outras áreas - não perdoam e jamais esquecem. Este segundo lugar foi um sapo difícil de engolir para muita gente e o brasileiro há-de pagá-lo. De uma forma ou de outra. Ele que perca um joguinho que vai ver como elas mordem. As ratazanas vão surgir novamente à procura de um qualquer osso para roer.
Como é bom saber que temos à frente da Selecção um homem que não sofre pelo Benfica, Sporting ou FC Porto. E que é um excelente comunicador, também ele um dos grandes responsáveis pela onda de entusiasmo que varreu o País. Continuo consigo, Scolari.