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Ele conhece muitos atalhos

1 - É como se chegassem a uma rotunda a alta velocidade, indiferentes às regras de trânsito; vêm de estradas distintas, todos ao mesmo tempo, e nunca param para pensar: surjam da esquerda ou da direita, com ou sem atraso, bem ou mal posicionados, os candidatos ao título têm concordado com os riscos da condução imprudente. O espectáculo dos acidentes para todos os gostos tem sido extraordinário, marcado por atrasos recuperados e vantagens perdidas; por ultrapassagens impensáveis e estranhas avarias que sugerem a intervenção de forças sobrenaturais. O carrinho de choque vermelho, duas semanas depois de despiste que parecia fatal (vítima de um tanque, imaginem só…), recompôs-se, recuperou terreno e voltou a liderar a corrida. Precisou apenas de mudar uma peça do motor.

2 - Numa equipa que estabelecia comunicação com os avançados pela via rápida do pontapé para a frente; que fazia depender o plano de viagem do lugar onde Petit ou Manuel Fernandes conquistavam a bola e do modo como Simão a tratava; que definia como primeiro elo de ligação entre a defesa e o ataque a esmagadora presença de Miguel no corredor direito, a inclusão de Nuno Assis começa por diversificar argumentos e acaba fatalmente por acrescentar soluções à organização ofensiva. Um dia perguntaram a César Luís Menotti o que era o futebol directo; ele respondeu que era falta de sabedoria e explicou: “É como dizer que o caminho mais curto entre duas cidades é sempre a auto-estrada. Se ela for bombardeada, o primeiro a chegar será aquele que conhecer mais caminhos.”

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3 - Nuno Assis introduziu os atalhos no mapa benfiquista; trouxe o conhecimento de outras vias que conduzem ao mesmo destino, com a diferença de o fazer com mais probabilidades de êxito e de um modo que respeita melhor as características dos parceiros de aventura. Com ele a equipa adquiriu equilíbrio, critério e inteligência. Porque está sempre disponível para receber a bola, tem talento para sair do drible e sabe ganhar espaço jogando a um toque; porque se desdobra em associações constantes que envolvem os avançados (movimentos verticais) e os extremos (contribui em toda a largura do terreno), o novo maestro multiplica os canais de acesso ao lugar onde se tomam as grandes decisões, aquelas que, se forem bem sucedidas, costumam acabar na festa do golo.

4 - Sendo um jogador de progressão continuada, rápido a pensar e a executar; que se movimenta nos corredores interiores com reportório diversificado; que avalia bem as situações delicadas e depressa encontra solução para as resolver, Nuno Assis deu mobilidade à transição ofensiva do futebol encarnado. A empatia com os adeptos foi imediata, sinal de que possui crédito amplo e um capital de tolerância a aproveitar nesta fase susceptível de conhecer obstáculos inesperados. Para já, confirmou apenas que o Benfica precisa de um jogador para aquela função. Tem agora de mostrar que pode ser, ele próprio, o epicentro galvanizador de uma grande equipa. E ter estrutura global suficientemente forte para resistir e ultrapassar com êxito o momento em que terminar o estado de graça.

Flanco direito:

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Assim como quem não quer a coisa

Na exuberância da vitória do Marítimo sobre o Sporting diluiu-se uma das maiores conquistas de Mariano Barreto: sem se dar por isso, Luís Filipe concluiu com distinção a primeira fase da adaptação a lateral-direito. Ocupa o espaço cada vez melhor, defende com rigor e mantém intacto o talento para desequilibrar à frente. Já está entre os cinco melhores da SuperLiga.

Sem problemas de motivação

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No meio da desastrada época portista, que tem diminuído uns e feito desaparecer outros, Bosingwa continua a encontrar razões para se motivar e assim prosseguir o crescimento como jogador. Sem ser artista, rompeu em dribles pela defesa do Estoril; sem ser rematador disparou tiro indefensável, de fora da área. Numa só noite marcou o golo da jornada e ainda delimitou o seu espaço na equipa.

Castigo para quem merecia um prémio

Os adeptos do Benfica escolheram o momento para ajustar contas e resolveram assobiá-lo de cada vez que tocava na bola. Hugo Leal aproveitou para confirmar qualidade técnica acima da média e dar uma enorme lição de profissionalismo – teve iniciativa, comprometeu-se com o jogo e mostrou genuína paixão pelo futebol. No fim, Nelo Vingada decidiu entregá-lo à justiça popular de uma última e gigantesca vaia. Um castigo para quem merecia o prémio de ficar em campo até ao fim.

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O rosto enraivecido do Sr. árbitro

Na televisão percebeu-se a pergunta de Abel: “O que é que eu fiz?”. Uma foto do lance, publicada em Record, mostra Pedro Proença descontrolado, com o cartão amarelo na mão – e ainda bem que não era um pau... No fim, três bracarenses acusaram o árbitro de os ter insultado, o que este negou com a sobranceria de quem se julga acima da vida terrena. Para Abel, Nunes e Vandinho a minha convicção de que não inventaram; quanto a Proença, a certeza de que aquele rosto enraivecido traduz agitação imprópria para quem aplica a justiça. Devia ter ficado em casa.

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