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A aposta na juventude tem riscos, mas não pode ser justificação para o insucesso. Começa a pairar a ideia que, se o Sporting não se qualificar para as competições europeias este ano, isso se deverá à inexperiência dos seus jogadores. Muito bem esteve Jesualdo Ferreira a dizer que isso não serve de desculpa.
A campanha do V. Guimarães, uma equipa de “tostões” que se socorreu de jovens promessas da formação B e está atualmente no 5.º lugar da liga, é um bom exemplo de como a entrega e a transcendência dos jogadores pode fazer toda a diferença.
Apesar da falta de consistência exibicional até aqui demonstrada, acredito que o Sporting ainda tem uma palavra a dizer neste campeonato. A equipa leonina tem qualidade suficiente para almejar um lugar de acesso à Liga Europa, porque tem ótimos jogadores e é bem comandada. Falta apenas encontrar um antídoto para a inércia dentro de campo que parece travar insistentemente este Sporting.
O problema parece ser mais psicológico do que outra coisa. Está a ser difícil encontrar a forma de motivação ideal junto dos atletas de uma equipa que, por norma, está habituada a outras andanças. O capitão sportinguista Fito Rinaudo teve a lucidez de colocar o dedo na ferida esta semana: “assim é difícil levantar e ir treinar”.
E está desfeito o enigma que rodeia o Sporting ao longo desta temporada. O que é que aconteceu a estes jogadores? Uma quebra anímica, que retirou confiança e se alastrou de jogo para jogo. É difícil inverter esta tendência, mas não impossível. A motivação tem de tocar no coração dos jogadores e no seu brio profissional. Têm de voltar a acreditar que são capazes.
A fonte de inspiração pode estar na cidade do berço. Quem vê os meninos de Rui Vitória a jogar, observa uma equipa alegre, motivada e irreverente. Joga olhos nos olhos do adversário, sempre em busca da vitória. Não interessam as cores das camisolas. O V. Guimarães é a prova de que o dinheiro não é tudo no futebol. Em função dos problemas financeiros, o clube teve a coragem de reduzir a sua folha salarial e está a ser premiado com bons resultados. A quinta posição e a presença nas meias finais da Taça de Portugal estão aí para toda a gente ver.
Tal como fez o Sporting, o V. Guimarães partiu para a única opção que tinha viável. Apostou na valorização de jovens da formação com elevado potencial, reduzindo custos. E a aposta, independentemente da classificação final do clube, está a dar resultados. “Com trabalho acumulado e jogos em cima destes jovens, faremos uma equipa muito boa. Um jogador jovem, quanto tem potencial, precisa é de uma porta aberta”, disse recentemente Rui Vitória. Corroboro inteiramente estas palavras. É uma filosofia desportiva que devia ser seguida por muitos mais treinadores. O futebol português só tinha a ganhar com isso.
Não tenho a menor dúvida que, mais cedo ou mais tarde, os leõezinhos de Jesualdo se vão afirmar. O treinador português tem muita experiência no trabalho com jovens, na construção de equipas competitivas e na valorização de ativos. O que fez com jogadores como Pepe, Bruno Alves, Lisandro e Falcão, entre outros, foi notável. Questões financeiras à parte, em matéria desportiva, só falta mesmo um clique anímico ao leão para que este possa voltar a despertar. Uma boa ponta final, ainda poderá valer um Sporting europeu na próxima época.
O Craque – Qualidade não engana
Sem margem para dúvidas, Rui Patrício é atualmente o jogador mais valioso do plantel do Sporting. A aposta consistente resultou numa grande evolução do guardião, sendo hoje, aos 25 anos, um dos melhores da Europa na sua posição. Teve margem para errar, aprendeu com os erros e ganhou experiência. Foi com todo o mérito que chegou a titular da Seleção Nacional. Esta época já fez defesas enormes e salvou o Sporting de resultados ainda mais negativos. Fala-se da sua saída no verão. Seria bom que ficasse em Alvalade para ajudar o leão e levantar-se novamente.
A Jogada – Mário Figueiredo e os árbitros
O presidente da Liga de Clubes defende que os árbitros não devem arbitrar jogos em que intervêm os clubes da sua preferência. A ideia parece-me completamente descabida. Se assim fosse, dificilmente encontraríamos árbitros suficientes para apitar os jogos dos três grandes durante uma época e não seria isso que acabaria com os erros. Aumentariam ainda mais, isso sim, as suspeitas sobre os homens do apito. Quem defende a profissionalização dos árbitros tem de acreditar na idoneidade do seu trabalho.
A Dúvida – Será que a torneira vai fechar?
Ao que tudo indica, o Millenium BCP prepara-se para deixar de conceder novos créditos a clubes de futebol. Os prejuízos financeiros e a exposição negativa, sobretudo relacionados com a reestruturação financeira do Sporting, são motivos apontados. A decisão não surpreende, tendo em conta o elevado passivo dos clubes e SAD, podendo levar outros bancos a fazer o mesmo. Será desta que os clubes vão passar a viver de acordo com as suas possibilidades? Ou teremos os fundos de jogadores e o investimento de empresários a ganhar um peso ainda maior?