A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) quer acabar com “a repetição abusiva dos erros dos árbitros nas televisões”. Compreendo o desejo do organismo em defender os árbitros (de que serviria se não tivesse esse propósito?), mas não quero acreditar que esta seja uma proposta para levar a sério.
Os árbitros podem e devem exigir tudo o que necessitam para cumprir o melhor possível a sua missão. Podem e devem, também, solicitar que todos os agentes envolvidos na modalidade tentem ter uma postura mais serena, pouco dada a declarações inflamadas antes, durante ou depois dos desafios, mas defender que a imprensa não analise, da forma que entender, os casos registados nas partidas é, no mínimo, abusivo e ridículo. Quantas repetições podem as televisões fazer de uma grande penalidade que o juiz deixou passar sem o devido julgamento? Duas, três ou quatro? E uma agressão? Mantém-se o número? Aumenta-se ou diminui-se?
A proposta da APAF não tem sentido e, pior que isso, visa interferir com uma área que não lhe diz respeito. Poucos são os países onde o futebol é uma paixão nacional em que as televisões não “vasculham”, ao mais ínfimo pormenor, o trabalho dos árbitros. E, posso garantir, não é por isso que as actuações são melhores ou piores. Não são as inúmeras repetições que transformam um bom árbitro num mau, da mesma forma que o esconder erros não será suficiente para que um cidadão com vontade, mas visivelmente incapaz para a função, vire um juiz de eleição.
Quando eu gostava de ver a APAF defender a possibilidade dos árbitros falarem, sem restrições, dos embates que dirigem – mais do que não seja para deixarem de ser os únicos intervenientes no espectáculo que não possuem liberdade de expressão – ou patrocinar a obrigatoriedade de, no final dos jogos, ser distribuído um pequeno relatório à imprensa onde constassem os dados exactos do jogo (minutos dos golos e substituições, assim como cartões amarelos e vermelhos), de modo a uniformizar a informação e esclarecer eventuais dúvidas, o que preocupa os dirigentes da classe é que se veja um ror de vezes o mesmo lance na televisão. Enfim...
PS 1 – Pinto da Costa quebrou o silêncio em entrevista ao “Público”. Li com atenção, mas não encontrei nada de novo. Está de consciência tranquila; os jornais só dizem mentiras (fiquei admirado por ver os desportivos todos englobados no mesmo “saco”); Carolina Salgado (agora) não merece o mínimo crédito; Jesualdo Ferreira nunca teve o lugar o perigo (gostava de o ver manter o cargo caso tivesse falhado a conquista da Liga...) e todas as acusações não passam de uma perseguição a si e ao FC Porto. E, a terminar, a recuperação da antiga “táctica” regionalista, assumindo que o “Apito Dourado” é uma afronta ao Norte. Enfim...
PS 2 – Felizmente, os Sub-21 de Portugal ainda podem chegar aos Jogos Olímpicos. O fracasso está consumado ao nível do Europeu, mas quis o destino que se possa salvar alguma coisa. Em vésperas de um importante duelo com a Itália, Hugo Almeida (castigado, para não variar) foi dispensado. Não entendo. Mesmo impedido de alinhar, o avançado (ou outro jogador qualquer) devia ficar com o grupo até ao final. Ainda por cima é um dos mais experientes e capitão. As férias não podem esperar? Enfim...