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ETERNOS – Apesar de uma década de ouro com a águia ao peito, marcada por importantes conquistas euro-peias, Eusébio e Coluna teriam a expressão eterna que lhe foi conferida internacionalmente sem a presença no Mundial de 1966? Seguindo o mesmo raciocínio, Pelé e Garrincha teriam chegado ao máximo da consideração universal se não estivessem associados à fase dourada do escrete? Perguntas que se respondem a si próprias e que, não sendo aparentemente simpáticas para Benfica, Santos e Vasco da Gama – entidades ao serviço das quais os jogadores em causa expressaram verdadeiramente a totalidade do seu génio –, servem apenas para confirmar a importância histórica das selecções nacionais no enquadramento da esmagadora maioria das estrelas mais brilhantes do futebol de todos os tempos.
EXCEPÇÃO – Alfredo Di Stefano é a mais eloquente excepção a essa regra segundo a qual todos os grandes jogadores, entendidos como figuras de referência definitiva para o jogo, estão associados a uma selecção nacional – grupo restrito que também integra George Best, por exemplo. Real Madrid e Manchester United tiveram força suficiente para projectar a imagem de muitas estrelas nos seus tempos áureos; o talento superior dos seus jogadores contribuiu largamente para os levar ao topo, mas a verdade é que, na hora da fechar a contabilidade do século passado, venceram as imagens de Pelé suportado na coroa de tricampeão mundial e de Maradona transformado em Robin dos Bosques vitorioso de uma luta solitária contra tudo e contra todos, no México, em 1986.
CAMPEÕES – Uma breve viagem pelo passado esclarece que não é imperioso ser campeão do Mundo para alimentar a associação de ideias que define a selecção nacional como um espaço absolutamente sagrado para os jogadores de futebol. Na primeira metade dos anos 30, o "Wunderteam" da Áustria eternizou o talento de Mathias Sindelar; nos anos 50, a Hungria mágica potenciou Ferenc Puskas como um dos melhores futebolistas de todos os tempos; na década de 70, Johan Cruijff tornou inesquecível a "laranja mecânica" superando ao serviço da Holanda, em meia dúzia de semanas, a importância de à sua volta girar o espantoso Ajax de Michels e Kovacs, tricampeão europeu e protagonista da última revolução esteticamente agradável do futebol. A todos eles o título máximo fugiu. Mas não o espaço para entrarem no nosso imaginário, sempre associados à selecção que representaram.
PRESSÃO – Numa altura em que o poder económico e as necessidades empresariais aumentam claramente a pressão sobre as selecções de cada país para só existirem quando convém aos clubes, de quatro em quatro anos surgem momentos como aquele que hoje vivemos, nas vésperas de serem conhecidos os rostos de quem vai dar alma ao grande espectáculo do Oriente: jogos de influência generalizados em todos os cantos do planeta, na certeza de que a presença na fase final de um Campeonato do Mundo pode valer mais que todo um ano de trabalho. Não deixa de ser uma ironia a confirmação de que a selecção nacional, mesmo nas camadas jovens, continua a ser o melhor e mais sólido campo de afirmação de um desportista. É esse exemplo, do qual Zidane será o mais perfeito emblema, que leva gente com o palmarés já bem preenchido como Paulo Sousa, Figo, Fernando Couto, Rui Costa, Vítor Baía, Sérgio Conceição e João Pinto a dar solenidade ao momento da escolha de António Oliveira. Eles, melhor que nós, saberão porquê.