Opinião
António Carraça

Espectáculo genuíno

Se observarmos o que foi o futebol português nos últimos 50 anos, e se o fizermos de forma detalhada e pragmática, verificamos a evolução do jogo e principalmente, a transformação do biótipo e do perfil dos jogadores. Mas quem nunca mudou e faz questão de acentuar isso com a sua postura franca e popular, foi o menino do Montijo, Paulo Futre. E, quando pensamos neste, para mim ainda ‘puto’, pensamos inevitavelmente no já quase extinto futebol de rua. Onde as pedras, as sarjetas, as bolas de plástico e de papel e meias eram as protagonistas do jogo. Todos os dias e a todas as horas.

Por isso, ou, muito por isso, este ‘artista da bola’ é magia. É Sporting, Porto e Benfica. É viagens de barco para o treino. É Taça dos Campeões É um Porsche amarelo. É imprevisível. É Gil y Gil. É charters de chineses. É ‘cavalgadas e calvagadas’ de quase 100 metros levando tudo à frente. É dribles e fintas desconcertantes. É polémica. É contratos milionários em Itália, Japão, França e Inglaterra. É golos no Vicente Calderón. É tertúlias de amigos. É improviso. É solidariedade. É amizade. É ‘espectáculo’. É paixão pelo jogo. É instinto. É genialidade. É rebeldia. É sacrifício. É acreditar. É fama. É aventura. É tudo isto e mais um sem número de coisas.

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Por isso, faz parte, por direito próprio, do ‘Livro de Ouro’ do futebol lusitano. Porque ‘É’ um dos 10 melhores jogadores de futebol de sempre. Porque representa onde um menino, de um ‘pueblo’ humilde, pode chegar se acreditar que é possível tocar as estrelas. Se trabalhar muito e bem. Se sacrificar o conforto pelo sonho. E principalmente, Paulo meu amigo, porque és gente boa. Porque tens bom íntimo e um caráter genuíno e verdadeiro. Daqui, da América do Sul, recebe um forte e amigo abraço.

Por António Carraça
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