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Opinião
Luís Avelãs Jornalista

Estudantes contra a história

Numa prova com 34 jornadas, por muito bem ou mal que se comece, nada é definitivo à passagem da sexta ronda. Contudo, na verdade, a forma de arrancar pode ser determinante. Então quando as coisas tardam a encarreirar, a história diz-nos que isso costuma ter um custo tremendo. Assim, a situação da Académica é, desde já, deveras complicada. A prova é que, até à data, todas as equipas que não pontuaram nos seis primeiros encontros acabaram nos dois últimos lugares da classificação. Dito de outra forma: se os estudantes não lograrem driblar a história e fazer algo inédito... a descida de divisão , daqui a uns meses, será a consequência de uma entrada tão fraca que, sem surpresa, já custou o posto de trabalho a José Viterbo, o principal herói da permanência na temporada passada.

Na época 1938/39 , o Casa Pia foi o primeiro emblema a não conseguir ganhar ou empatar nos primeiros seis jogos de uma temporada no escalão principal. Depois, V. Setúbal, Académica, Oliveirense, Feirense, Olhanense e Torreense também repetiram a cinzenta estatística. E, como já se disse, nenhum evitou escapar aos dois últimos lugares. Ainda assim, nem sempre isso significou cair no escalão secundário. É que em tempos só o derradeiro colocado perdia o estatuto de primodivisionário...

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Meio século foi o longo período que Portugal viveu sem ver uma equipa da divisão maior entrar tão mal na temporada. Com efeito, desde a longínqua época 1964/65 que ninguém perdia os seis primeiros duelos. O Torreense fora o último clube a protagonizar um arranque deste calibre. A Académica – primeira equipa a passar por esta situação duas vezes – sucedeu, seguramente sem vontade alguma, ao clube de Torres Vedras.

Também os golos são uma preocupação da equipa atualmente liderada por Filipe Gouveia. De facto, um único remate certeiro até ver não é nada animador. E se acrescentarmos que esse golo (obtido por Rabiola) surgiu na marcação de uma grande penalidade, aquando do desaire caseiro com o Sporting (1-3, na 3.ª jornada) então o caso é mesmo grave. Estranho, por outro lado, é perceber que a equipa coimbrã até ataca muito mais do que seria expectável face aos resultados. Com 61 remates, os estudantes seguem em nono nesse "ranking", enquanto aparecem em quinto nos cantos a favor (34). Apesar destes números, teoricamente agradáveis, o conjunto coninbricense ainda não conseguiu terminar um encontro sem evitar a derrota. Quem diria?

SABIA QUE

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A sexta jornada foi a que teve mais remates e cantos? Os golos, é verdade, foram apenas 19, mas houve 221 "tiros" à baliza (o máximo estava em 205) e 116 cantos (98 era o maior registo).

Disciplinarmente foi uma ronda simpática? Foram exibidos 40 cartões (39 amarelos e 1 vermelho). Nas primeiras cinco jornadas, o mínimo era... 50!

Nenhum penálti foi assinalado? Foi a primeira vez que tal aconteceu esta época. E, de facto, não é algo habitual. A comprová-lo basta dizer que na temporada passada isso sucedeu só em duas jornadas.

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O jogo entre Rio Ave e Académica passou a ter o recorde de cantos na época? Houve 18, com a particularidade dos visitantes beneficiarem de 12.

O dérbi minhoto foi muito faltoso? V. Guimarães e Sp. Braga combinaram para 43 infrações , tantas quantas existiram no Boavista-Tondela da ronda 2.

Por Luís Avelãs
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