Quando Cristiano Ronaldo foi contratado por 100 milhões de euros, num ano em que o Real Madrid gastou mais de 250 milhões em novos jogadores para o seu plantel, houve uma enorme comoção. Como era possível gastar tanto dinheiro com um jogador? O resultado está à vista.
Na altura, escrevi no “Negócios” que “Ronaldo vale tanto quanto um louco estiver disposto a pagar por ele”. Porque havia duas maneiras de olhar para essa decisão: a da loucura de pagar por um homem o que tiraria da pobreza milhares de pessoas; ou a de um investimento que visava gerar um determinado retorno. Uma decisão, portanto, empresarial. Foi o caso.
Não há informação disponível suficiente (o Real Madrid não a divulga) para saber se Ronaldo já deu “lucro” ao Real Madrid, entre os 100 milhões da contratação, os salários e os prémios pagos. Mas contabilizando as receitas geradas, quer pelo merchandising, quer pelos resultados desportivos, talvez não ande lá longe.
Cristiano Ronaldo é o jogador com mais valor mediático do Mundo. Tem 44 milhões de fãs no Facebook. Contribui decididamente para a geração dos mais de 400 milhões de euros de receitas anuais do seu clube. E não só carrega há anos a equipa como este ano o campeonato espanhol é, dentro do campo, sobretudo mérito seu.
Só na Seleção Nacional Ronaldo não tem tido o desempenho desejado. Mas, competitivo como é, o jogador pode este ano ter uma motivação adicional para o Europeu: o facto de querer conquistar a Bola de Ouro, o que na prática significa bater nessa decisão o argentino Lionel Messi.
Ronaldo quer ganhar. Quer ganhar sempre. E quer ganhar agora também a Bola de Ouro. O desempenho no Euro pode ser decisivo para essa conquista. E, portanto, também para Portugal. É como se fosse doping, mas legal e inofensivo. Motivação da boa.