O golo milagroso de Bruno Alves, ao cair do pano do duelo em Tirana, mantém Portugal na corrida pela qualificação para o Mundial de 2010. Ainda bem. Ver a Selecção Nacional, desde já, afastada da África do Sul não faria bem à nossa auto-estima colectiva. Para estarmos cabisbaixos já basta a crise económica, a sucessão de escândalos envolvendo gente que se dizia de bem e a dose industral de campanhas eleitorais que, este ano, não nos vai dar sossego. Não conseguir ganhar nenhum dos dois jogos com a "muito organizada" e "aguerrida" formação albanesa seria humilhante.
Mas se desta vez ninguém se pode queixar da sorte, se pretendermos analisar o futebol praticado pela equipa lusa... o caso fica mais complicado. Basicamente, não jogámos nada. Carlos Queiroz tinha prometido uma equipa cheia de vontade, desejosa de recuperar a imagem depois de uma inesperada sucessão de desaires, mas nada disso aconteceu, pese a opinião contrária do técnico. Tivemos uns fogachos, é certo, mas nunca nada ao ponto de nos entusiasmar ou de deixar os albaneses desorientados. Aliás, se alguém andou com a cabeça à roda com o que se passou em Tirana foram os portugueses. Os que lá estavam e os que, espalhados pelo mundo, sofreram por uma equipa que, em traços gerais, parece não conseguir dar mais do que aquilo. E isso é grave. Muito grave!
Engraçado, no meio de tudo isto, é que continuo a acreditar que Portugal vai mesmo estar na África do Sul. Faltam 4 jogos (dose dupla com Hungria, deslocação à Dinamarca e embate caseiro com Malta) e quase seguramente mais 2 do "playoff". Que seja! Mas, se mantenho a esperança numa formação que já nos mostrou ter potencial para se bater com os melhores do planeta, reforço a ideia de que seria útil Queiroz deixar de apostar em opções muito discutíveis.
A titularidade de Boa Morte (em detrimento de Simão ou mesmo Nani), a insistência em colocar Pepe no meio-campo (quando nem devia ter jogado devido ao facto de levar muito tempo sem competir), a continuidade de Duda como lateral esquerdo (uma solução de recurso deve ser isso mesmo...) e a birra com Nuno Gomes (pode não ser o melhor avançado do mundo, mas dificilmente não é o melhor português), por exemplo, são algumas das situações que merecem ser revistas. Caso contrário, um destes dias corremos o risco de ter um País inteiro repleto de.... "burros", futebolisticamente falando.
Mas, findo o pesadelo albanês, e numa altura em que os futebolistas - física e emocionalmente desgastados - só pensam em férias, continuo sem perceber que raio vai fazer a Selecção Nacional à Estónia. Faltam 3 meses para o duplo confronto com Dinamarca e Hungria, logo não me parece minimamente relevante estar agora a fazer jogos de preparação. Alguém pode garantir que os elementos agora testados vão ser chamados na convocatória seguinte? Nem o seleccionador!. Lesões, oscilações de forma (uns a descer e outros a subir) e meras opções tácticas podem provocar inúmeras alterações no lote de eleitos. Ainda por cima numa fase de arranque de temporada, sempre propícia ao aparecimento de surpresas.
Ao abdicar de 5 jogadores (Ronaldo e Simão por questões físicas e Deco, Bosingwa e João Moutinho por opção técnica que ninguém compreende), Queiroz é o primeiro a desvalorizar o embate com os estónios. E por estes dias até pode vir com um discurso simpático, garantindo a importância da deslocação. Se fosse para testar alguma coisa "a sério", não ficavam tantos habituais titulares de fora. Aliás, nestas coisas dos testes nunca entendi como é que os treinadores anunciam estar a conceder oportunidades às segundas escolhas quando os colocam a competir com apenas 2 ou 3 (se tanto) titulares.
Sabendo que o particular com a Estónia estava agendado há muito, creio que teria sido inteligente desmarcá-lo. É que, neste momento, isto parece uma autêntica excursão. E nem sequer vislumbro eventuais semelhanças entre o futebol estónio e aquele que, normalmente, Dinamarca e Hungria exibem. Mas, enfim, nem tudo é mau. Caso Bruno Alves não tivesse marcado sábado em Tirana, a viagem a Tallin ainda seria pior. E muito me engano ou o número de dispensados seria maior. E só estou a pensar em jogadores...