Extravagante

Extravagante

Tempos interessantes estes para o adepto. Nunca como agora tantos jogadores geniais coexistiram no mesmo campeonato, condenados a encontrarem-se várias vezes ao ano. Foi assim este domingo, numa noite memorável no Santiago Bernabéu. Pelo menos quatro génios pisaram o relvado – Ronaldo, Messi, Xavi e Iniesta.

É tentador olhar para um jogo assim e pensar que foi apenas uma disputa entre os melhores jogadores da atualidade. Mas um jogo é sempre mais do que a soma dos talentos individuais e o clássico espanhol deste fim de semana, a que tive o privilégio de assistir, foi, dessa perspetiva, exemplar.

PUB

É difícil saber se Messi é melhor do que Ronaldo ou Ronaldo melhor do que Messi. Pouco importa: é uma sorte termos dois jogadores de talento ímpar a jogar em simultâneo e em equipas com culturas tão distintas. O resultado extravagante do Real-Barça é, em parte, consequência dessa diversidade.

O Madrid de hoje é uma equipa repleta de talentos, mas que joga através de combinações de jogadas individuais. A atitude emocional da equipa é um espelho do dramatismo castelhano. A equipa tanto pode ganhar tudo, como deitar tudo a perder. Joga sempre à beira do abismo e dá uma garantia: o seu futebol pode ser desequilibrado, mas nunca será aborrecido.

O Barça é um pouco o oposto: uma equipa com um sistema de jogo estabilizado, que, em registo burocrático, vai criando as oportunidades adequadas para os génios se revelarem. O futebol dos catalães pode não ser tão entusiasmante, mas há na forma equilibrada como a equipa joga uma voz autónoma, que não encontra paralelos na história.

PUB

Sou daqueles que pensa que poucas coisas refletem de forma tão exata a cultura de um povo como o futebol – o que explica que a experiência de ir a um estádio seja tão diversa de país para país. É isso que faz dos jogos entre Real e Barça experiências únicas: são duas equipas que espelham duas culturas. Sorte a nossa que modelos de futebol tão diferentes tenham como protagonistas os melhores jogadores da atualidade, eles próprios tão geniais como difíceis de comparar.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB