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A conversa é frontal mas esconde tanto quanto revela. À primeira vista, há uma guerra entre Mário Figueiredo e Joaquim Oliveira. Vendo melhor, a guerra é entre clubes de Lisboa e do Porto. No final, estamos a falar de dinheiro e poder.
Nos últimos dias, as declarações de Mário Figueiredo, que fazem eco nas declarações de Rui Gomes da Silva, António Oliveira e Rui Santos, são pedradas contra Joaquim Oliveira. Contra o seu poder. E contra aquilo que dizem ser uma orquestração para afastar Figueiredo da Liga.
O poder da Olivedesportos é antigo, já foi maior, e decorre da dependência financeira dos clubes face à empresa que lhes paga ou pagou durante anos direitos televisivos, muitos vezes de avanço para suprir défices crónicos. Tudo isto é verdade. Como é verdade que Mário Figueiredo chegou à liderança da Liga, depois de uma noite surpreendente, como defensor dos clubes mais fracos. Mas sejamos claros em vez de ingénuos: Mário Figueiredo só fala assim porque estará amparado pelo Benfica.
Não é à toa que, depois da famosa reunião da Liga de há semanas, Luís Filipe Vieira afirmou que o futuro do futebol português passa pelo Benfica e pelo Sporting. Os dois clubes de Lisboa estão a usar ou a aproveitar a cisão na Liga para derrubar o “sistema” que, segundo eles, é dominado pelo Porto. Mário Figueiredo, que por sua vez é acusado de ter feito maus negócios nos patrocínios da Liga, de ter falhado a distribuição de dinheiro pelos clubes pequenos e de não contrariar a perda de espectadores nos seus jogos, aparece colado ao Benfica. Vieira, que consegue resguardar-se mais nesta luta do que Bruno de Carvalho, não se inibe no entanto de ter tantas vezes Mário Figueiredo nos jogos do Benfica, pelos quais o presidente da Liga parece ter predileção.
Não há anjinhos no futebol. A quebra de hegemonia da Olivedesportos, para a qual muito contribuiu a BTV, é também uma redistribuição de poder e de negócios. Mário Figueiredo está nessa guerra. Mas ele é mais soldado que general.