Falidos e bem pagos

Falidos e bem pagos

O Liverpool está falido. Quer dizer, não está nada – está tanto como o Porto, o Benfica e o Sporting. Estar falido hoje já não é uma aflição momentânea, é uma forma de estar na economia. O problema do Liverpool é outro: entrou em “default”. Em português: é caloteiro.

Os reds, um dos maiores clubes do Mundo, têm de pagar centenas de milhões de euros até ao final desta semana a dois bancos, o Wells Fargo e o Royal Bank of Scotland, que curiosamente é hoje controlado pela coroa britânica, depois da nacionalização após o descalabro financeiro.

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O exemplo do Liverpool condensa as características que fizeram dos clubes máquinas modernas de inviabilidade. São como piões, se param de rodar (neste caso: de ganhar jogos), caem. Aliás, como as economias excessivamente endividadas.

O Liverpool chegou aqui por excesso de endividamento, que foi contraído junto dos mercados (sim, esses mesmos, os que tratamos como investidores quando nos agradam e de especuladores que não nos convêm). O pagamento da dívida seria feito com a geração de receitas do clube, ou como se diz em português, com o pelo do próprio cão. Mas como a Champions League e a venda de jogadores falharam, o clube deixou de poder pagar.

O modelo de negócio dos clubes de futebol mais ambiciosos é hoje uma operação de risco. Se a bola vai ao poste e se perde na Champions e se não se reciclam as estrelas para vender caro, há problemas: o Manchester United apresentou prejuízos porque não tem mais “Ronaldos” para vender.

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Tudo isto tem espelho também em Portugal, como havemos de aqui falar. Para já, a vítima é o Liverpool, que tem como frase emblemática “You’ll never walk alone”. Não, os jogadores nunca caminharão sozinhos. Mesmo caminhando falidos e bem pagos.

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