Estádio cheio, tarde primaveril, ambiente escaldante e duas das melhores equipas da Liga: os astros alinharam-se para que Portugal possa assistir este sábado a um grande espetáculo de futebol. De um lado, um Benfica forçado a vencer para manter o conforto de quatro pontos na liderança do campeonato; do outro, um Sp. Braga que ainda não tirou os olhos do terceiro lugar que dará apuramento para o playoff da Liga dos Campeões da próxima época.
O pontapé de saída deste jogo foi dado há mais de uma semana, quando os minhotos foram dominados e derrotados em casa pelo FC Porto. A frustração dos benfiquistas, que muito provavelmente viam na última jornada uma grande oportunidade para resolver de uma vez por todas a questão do título, acabou por ter voz nas declarações de Rui Gomes da Silva. Sérgio Conceição, claro, não gostou. E se muitas vezes pode ser acusado de exageros de forma e conteúdo, desta vez a reação do treinador do Sp. Braga fez todo o sentido. Porque quem não se sente não é filho de boa gente.
O número de faltas cometidas nas partidas diante de FC Porto e Benfica provam que o Sp. Braga não escolhe cores na forma como "bate": nas visitas à capital do Minho para o campeonato, os azuis e brancos sofreram apenas menos uma falta do que as águias (25-26). Nos jogos disputados no recintos dos grandes, os números também são idênticos (17 no Dragão, 15 na Luz para a Taça de Portugal). A grande diferença acaba por ser no número de cartões: aí, é uma equipa muito mais punida nos jogos diante do Benfica. Totalmente fora do padrão está o jogo da Taça da Liga com o FC Porto, na Pedreira, em que a equipa de Sérgio Conceição jogou a maior parte do tempo com mais dois jogadores.
Independentemente da interpretação que se possa dar aos números, o certo é que este Sp. Braga é uma equipa que joga com uma intensidade pouco usual em Portugal. Agressiva a defender, rápida com a bola nos pés, é uma equipa que se espera de um treinador como Sérgio Conceição. E se houvesse mais "Sp. Bragas" espalhados pelo país, o nosso campeonato seria bem melhor e os estádios estariam mais vezes cheios.