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Na próxima época, a UEFA vai começar a aplicar as regras do fair play financeiro no futebol europeu. Os clubes que gastarem mais do que aquilo que ganham serão excluídos das competições europeias. Perante esta situação, os clubes portugueses vão ter, inevitavelmente, de começar a conter custos, investir no mercado interno e apostar mais na formação.
O Málaga, que eliminou o FC Porto na Liga dos Campeões, foi a primeira vítima destas novas regras, ficando suspenso de todas as provas europeias durante um ano. O clube espanhol, detido por investidores do Qatar, foi penalizado por dívidas que tinha por saldar para com jogadores e o fisco. É um sério aviso para todos os clubes, nomeadamente os portugueses.
Exige-se uma maior disciplina financeira, para que os clubes deixem de viver acima das suas possibilidades. Neste âmbito, a reestruturação que o Sporting está a levar a cabo, embora motivada por razões de sobrevivência, acaba por ser exemplar e um passo que, em maior ou menor escala, terá de ser seguido por outros clubes nacionais.
Pela escassez de receitas, ao nível da bilheteira (vão cada vez menos adeptos aos estádios nacionais) e do merchandising, as equipas portuguesas ficam muito dependentes das receitas provenientes de direitos televisivos e das vendas de jogadores que têm de realizar todas as épocas. E este facto poderá conduzir a uma redução dos orçamentos para as próximas épocas, já que a UEFA pretende que os clubes possam competir apenas com os valores das suas receitas.
Com as contratações de Tiago Rodrigues e Ricardo ao V. Guimarães, o FC Porto parece estar interessado em reduzir custos e inverter a lógica dos últimos anos, voltando a apostar no mercado interno, onde existem soluções boas e baratas. É um caminho a percorrer em paralelo com a aposta na formação. Na equipa B dos portistas, jogadores como Tiago Ferreira, David Bruno, Sérgio Oliveira ou Tozé espreitam por uma oportunidade, sendo ativos com forte potencial de rentabilização no futuro.
Exemplo máximo de que a aposta no mercado interno dá os seus frutos é Lima. O avançado do Benfica é um dos grandes responsáveis pela excelente época encarnada, tendo dinamizado o ataque benfiquista com golos e boas exibições. Além disso, Jesus também se rendeu aos benefícios da formação tendo apostado em André Almeida e André Gomes.
Com mais disciplina e racionalidade nas contas, não é por isso que as equipas deixarão de ser competitivas. Equipas como Sporting, V. Guimarães e Belenenses, forçadas a resolver os seus problemas financeiros, tiveram de assegurar a sua viabilidade através de uma forte contenção salarial e aposta em jovens da formação. Aproveitaram para transformar o momento numa oportunidade, lançaram novos valores para o futebol português e tiveram sucesso desportivo.
Os leões, depois de uma época impensável, aproximaram-se dos lugares europeus e têm fortes possibilidades de alcançar essa meta. Os vimaranenses estão na final da Taça de Portugal e garantiram a presença na Liga Europa do próximo ano, enquanto os azuis do Restelo venceram a 2.ª Liga e fizeram um brilharete na Taça.
Não há outro caminho. Os clubes portugueses vão ter de fazer contas à vida e viver de acordo com as suas possibilidades. Mas como referi antes, devemos encarar esta situação como uma grande oportunidade de regeneração, desportiva e financeira, para o nosso futebol. As Seleções Nacionais ficariam a ganhar com isso e os clubes não perdem competitividade. Basta saber gerir.
O CRAQUE
Bruma vai ser grande
Depois de Figo, Simão, Quaresma, Ronaldo e Nani, o Sporting tem mais um grande extremo na forja. Bruma tem imensas qualidades para chegar ao topo. Apenas precisa de mais jogos nas pernas e tempo para crescer. Dono de uma técnica excelente, o jovem leão impressiona pela condição física e pela disponibilidade que tem dentro de campo. Ainda apresenta algumas imperfeições próprias da idade, como a má gestão do esforço e a dificuldade em temporizar os tempos de passe e remate. Com maior maturidade e a correção natural de alguns aspetos táticos, será certamente um excelente jogador.
A JOGADA
Passagem de testemunho
Exemplo de uma gestão racional e equilibrada, o futebol alemão afirmou-se esta semana como a maior potência futebolística na Europa. A combinação de entrega, potência, técnica e velocidade mostraram que Bayern e Borussia Dortmund são hoje duas equipas de altíssimo nível, que fazem do coletivo a sua principal força, ao contrário de Barça e Real, que apesar da qualidade das suas equipas, vivem sustentados pelo talento das estrelas Messi e Cristiano Ronaldo. Os clubes espanhóis levaram uma grande lição.
A DÚVIDA
A montra do P. Ferreira
Com um dos orçamentos mais baixos da Liga, o Paços de Ferreira já conseguiu fazer a sua melhor classificação de sempre e está perto de um histórico apuramento para a Liga dos Campeões. Paulo Fonseca teve uma estreia inesquecível na 1.ª Liga e não deverão faltar interessados nos seus serviços para a próxima temporada. Além disso, o técnico lançou vários jogadores para a ribalta do futebol português, que estão agora na iminência de também dar o salto para um clube de maiores dimensões. Para onde irão jogadores como Cássio, Luiz Carlos, André Leão, Vítor, Josué, Hurtado ou Cícero?