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Federação brinca ao futebol

1 - Segundo li segunda-feira, uma fonte da Federação Portuguesa de Futebol confirmou que responsáveis de Sporting e Benfica foram ouvidos, na semana passada, pela comissão de inquéritos a propósito dos incidentes ocorridos durante o dérbi que devia ter decidido o título nacional de juniores mas que, por mau comportamento do público, não acabou.

Pensava que o assunto já tinha morrido. Estava enganado. E ainda bem. Na FPF existem pessoas que estão atentas e que, pelos vistos, pretendem reunir toda a informação disponível para decidir em conformidade. Tudo isto mereceria elogios se o triste espectáculo de Alcochete não tivesse tido lugar no dia 27 de Junho.

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Pois é, uma situação que precisava de ser decidida quanto antes - porque se tratava da última jornada, estava em causa a atribuição de um título e muitos dos jogadores iriam (pela subida de escalão) mudar de clube em breve - continua (semanas volvidas) em estudo. E quando os senhores do Conselho de Disciplina resolverem dizer de sua justiça, muito dificilmente um (pelo menos) clube não recorrerá da decisão.

Por outras palavras, já todos percebemos que o jogo não será retomado, nem repetido. Resta saber se o resultado aquando da interrupção (0-0) será homologado, se a equipa da casa irá sofrer pena de derrota devido à invasão de campo, se serão os encarnados a perder na secretaria face à alegada má conduta de alguns adeptos ou se, para evitar discriminações, ambos os emblemas serão penalizados com falta de comparência. Ou se, pura e simplesmente, não teremos campeão de juniores na época 2008/09!

Mas, independentemente da opção, os jogadores que trabalharam um ano inteiro para chegar ao título... não decidirão em campo o nome do vencedor. E isso porque a FPF, que é uma instituição que gere milhões de euros, não consegue, em tempo útil, tomar uma decisão. A Federação é em Lisboa e os clubes envolvidos também estão sediados na capital. Seria impossível resolver tudo isto no(s) dia(s) seguinte(s), chamando os dirigentes dos clubes e os órgãos competentes, nem que alguns, caso necessário, tivessem de intervir à distância, servindo-se das tecnologias existentes? Claro, se na Federação existisse bom-senso e noção das prioridades. Mas, como todos sabemos, em Portugal qualquer decisão em torno de um incidente registado num jogo de futebol demora meses a ser tomada e só conhece a luz do dia depois de um ror de depoimentos, análises, recursos e afins. E se é assim nas competições profissionais, imagine-se nos juniores e com pessoas que são literalmente... amadoras.

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2 - Um grupo de mentes brilhantes, reunidas à volta de uma mesa, considerou que o jornalismo (português e não só) está nas ruas da amargura porque a apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid teve direito a honras de transmissão em directo na RTP, SIC e TVI. E até pretenderam justificar a queda de audiências das televisões generalistas por causa deste tipo de opções. Goste-se ou não de futebol, concorde-se ou não com as verbas astronómicas envolvidas neste negócio, quem considerar que nesse dia a principal notícia para os portugueses não era esta... anda distraído. O desporto, em geral, e o futebol, em particular, interessam a muitas pessoas. Por muito que isso custe a uns quantos candidatos a educadores do povo.

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