Fernando santo

Fernando santo

Santo é talvez exagero, mas aceite o trocadilho com o nome do selecionador nacional pela vitória incrível conseguida na Dinamarca. Incrível não só porque a Dinamarca não é propriamente a Albânia mas também porque mesmo com a Albânia foi a desgraça que foi. A Seleção mudou muito mais do que de selecionador. Mudou de tática, mudou de jogadores, mudou de atitude e mudou de sina: ganhou.

Se o jogo tivesse tido menos um minuto, teríamos empatado e os jornais teriam falado no bom esforço e talvez numa vitória moral. Sim, tivemos sorte, nesse minuto ou numa bola ao poste. Mas mesmo nisso fomos diferentes. A equipa ganhou no último minuto porque acreditou até ao último minuto e quis ganhar até ao último minuto.

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Saímos da Dinamarca diferentes do que entrámos. Como se viu contra a França, dias antes, estamos longe de ser de novo uma equipa consistente e temível. E somos muito dependentes de Cristiano Ronaldo, o que não é uma fatalidade (tomara todas as equipas serem dependentes de um Ronaldo) mas reduz possibilidades. Ronaldo não fez um jogo espetacular mas esteve em todas as jogadas espetaculares de perigo. Incluindo no fabuloso golo, quando parou no ar como se levitasse para cabecear ao cruzamento de Quaresma.

Na Dinamarca viu-se de novo inspiração e transpiração – e até uma certa alegria no jogo. Fernando Santos conseguiu de uma penada quebrar a tática paralisante e acalmar a tensão dentro e à volta da Seleção, ainda para mais com regressos felizes como o de Quaresma, que pode ter mau feitio e desestabilizar balneários, mas é preciso conceder-lhe que está sempre a renascer.

Por boa razão se utiliza a expressão “chicotada psicológica” para mudanças de treinador. Espera-se sempre que elas produzam o efeito das pedradas nos charcos. Esta pedrada deu golo. E vitória.

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