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Um grupo de anónimos lançou, recentemente, uma petição "on-line" com o intuito de promover o regresso de Luís Figo à Selecção Nacional. A ideia, simpática e reveladora do apreço que o experiente jogador continua a merecer junto dos portugueses que acompanham com paixão o fenómeno futebolístico, parece ter sido bem acolhida, pois as últimas notícias indicam que já se ultrapassaram as 2.500 assinaturas.
Não pretendendo colocar em causa a qualidade de Figo (no passado ou no presente), considero um erro pensar-se na hipótese do futebolista do Inter voltar a vestir a camisola das quinas em partidas oficiais.
Figo não é um jovem e sempre se distinguiu da maioria dos seus companheiros de profissão por ser alguém com forte personalidade e por fazer questão de pensar só pela sua cabeça. Quando considerou que devia retirar-se da Selecção fê-lo sem dramas, assumindo que o País poderia, perfeitamente, continuar ao mais alto nível internacional sem o seu contributo. Depois, com o patrocínio da Federação e de Scolari, resolveu dar mais uma ajuda nos últimos jogos da fase de qualificação para o Mundial da Alemanha. E, em 2006, lá esteve a tentar levar-nos a um título que nunca agarrámos. Finda a participação na prova em que conquistámos um honroso quarto posto, Figo voltou a dizer adeus. E fez bem.
Não discuto que Figo ainda seria útil à equipa. É óbvio que sim. Aliás, face aos problemas físicos (e de forma) de Deco, creio que até Rui Costa - tendo em conta as exibições assinadas pelo Benfica - daria uma ajuda importante, já que Scolari não tem um 10 capaz de substituir à altura o luso-brasileiro. Mas, vejamos isto com alguma frieza, faz sentido que Figo, mais uma vez, volte com a palavra atrás e apareça para jogar uma fase final quando, por opção, não esteve no apuramento? Para mim... não! Até porque começaria a ficar em causa a palavra do jogador. Ou se retira ou não. A incerteza não o favorece a ele, nem à equipa. E, por outro lado, há que respeitar quem (espero eu) vai "carimbar" o apuramento.
Figo (tal como Rui Costa) deu muito a Portugal. Na Selecção principal - onde ao longo de 127 presenças foi quase sempre um dos destaques, chegando a carregar a equipa "às costas" - e nas outras. Há que respeitar as suas decisões e deixá-lo fechar a carreira da maneira que idealizou.
Eu gostava era de ver Figo recuperar depressa da grave lesão que sofreu. Não quero pensar na hipótese do seu trajecto dourado acabar assim. E, já agora, também defendo uma homenagem "a sério" a um dos principal impulsionadores da ascensão do futebol nacional além-fronteiras. Figo, Rui Costa, Jorge Costa, Pauleta, Fernando Couto e até o "excomungado" Baía - entre mais alguns - mereciam que a Federação organizasse uma festa onde o público pudesse agradecer tudo o que de imporante eles fizeram por Portugal e pelo futebol cá da terra.
PS - Ao contrário do que alguns pensam, não "engoli nenhum sapo" com o golo apontado por Makukula no Cazaquistão. Continuo a considerar que ele não devia ter sido chamado por, em tempos, ter recusado a Selecção. Mas, depois de jogar e ser importante, o que seria escandaloso era Scolari deixá-lo de fora da convocatória para os últimos jogos de apuramento para o Europeu. E, já agora, recordo, nunca coloquei em causa os dotes do dianteiro do Marítimo. Não é uma estrela, mas é muito interessante a qualquer conjunto que não tenha jogadores fortes na frente de ataque. A exemplo do que sucede com Hugo Almeida.