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Só agora vamos entrar em Fevereiro, mas a candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA é, para já, a notícia do ano. Afinal, estamos na presença de um português que se propõe ocupar o lugar mais relevante da organização do futebol mundial (se não considerarmos os titulares dos cargos que se dedicam à nomeação dos árbitros).
Só por isso - um português candidato a... - é natural que a notícia tenha provocado um "brilhozinho nos olhos" na aldeia. Para quase todos, não interessa conhecer as ideias de Figo para o futebol nem aprofundar a génese dos chavões. É português. Ponto. Apoia-se! Foi assim, após uma conversa telefónica com o ministro Marques Guedes, minutos antes do anúncio formal da candidatura, que - com toda a leveza e simpatia - o Governo português se associou a ela. Depois, mesmo sem conhecimento de linhas programáticas, outras apoios se seguiram, por amizade, por corporativismo ou por "corrente sanguínea" (lusa). É português, ponto.
Luís Figo beneficia da imagem de um ex-grande jogador, que jogou em dois dos maiores clubes do Mundo, ambos espanhóis, Barcelona e Real Madrid, e ainda no Inter, mas a imagem, neste caso, conta muito pouco ou não conta para nada. É bom ter a noção disso. Vamos admitir a presença na final da Taça das Nações Africanas, muito provável, de Blatter e Figo, no próximo dia 8, na Guiné Equatorial. Figo captará a atenção dos presentes, pelo fascínio que os ex-grandes futebolistas provocam nos adeptos do desporto-rei, mas esses não votam. Quem vota são as federações, todas por igual, e, nesse plano, não obstante as acusações de podridão, corrupção e outros "ãos", Blatter tem a máquina montada e, em quase 20 anos, distribuiu e plantou imensos "sorrisos". É a chamada força do adubo.
Se a imagem contasse seria fácil de entender que, tirando alguns "mentideros" mais próximos (eixo Sócrates-Figo, em Portugal e eixo Pesetas-Figo, em Espanha), a imagem do ex-internacional português é mais ou menos imaculada, assente na sua carreira como grande jogador, excepto na Península Ibérica. Mas, mesmo assim, não é a imagem que vota pela federação espanhola, onde Ángel Villar tem muito mais peso do que a imagem. Na verdade, a Nossa Senhora de Fátima não vota. Vota a FPF e talvez seja um indício as (outras) federações achadas para subscrever a candidatura terem sido Polónia, Montenegro, Luxemburgo, Dinamarca e Macedónia. Tornar o apoio, que é público, nesta fase - só na eleição o voto é secreto - não é uma coisa confortável, sobretudo para quem não tem a intenção de votar em Blatter, mas nestas organizações o medo impera.
Por isso, e por não aparecerem nesta fase federações de outros continentes e, principalmente, as federações do "mundo lusófono", que seria normal poderem assomar desde já, há que olhar para este processo com a devida ponderação, sem entrar em triunfalismos baratos e inócuos. Figo destronar Blatter é muito pouco provável, isso também não interessaria de todo a Platini, a quem serviria um cenário de uma vitória não muito expressiva de Blatter, para continuar a ficar no meio de "dois mundos" e poder aproveitar-se, em qualquer altura, da idade do suíço.
A falta de coragem de Platini para avançar, depois de durante muito tempo ter feito constar a sua intenção de se candidatar, é, desde já, uma das notas mais significativas deste processo. A capacidade de liderança do presidente da UEFA ficou bastante danificada. Havia a possibilidade de uma alternativa apoiada por Platini, mas nem isso aconteceu, porque o francês está longe de controlar as 54 federações europeias. Daí, este cenário de fragmentação que pode favorecer... Blatter. Este aparecimento de Figo é bom para Platini, uma vez que o pior cenário seria uma luta entre Blatter e Champagne...
Neste plano, as boas relações entre a FPF (Fernando Gomes) e a UEFA (Platini) são também o seguimento dos entendimentos entre estas duas personalidades, gerados antes do Congresso de Maio de 2013. Platini não queria que Gomes avançasse para o Comité Executivo (CE) naquele ano, deu-lhe um lugar de assessor, com a promessa de que entraria no CE "nas próximas eleições". Fica tudo explicado.
A Luís Figo desejo-lhe as maiores felicidades. Depois de Figo na FIFA, para ser mesmo celestial, só... Sócrates no altar.
NOTA 1 - Gonçalo Paciência: filho de peixe sabe nadar!
NOTA 2 - ...E que se passa com Rolando? Nem empréstimo, nem renovação, nem competição. Grande imbróglio!
NOTA 3 - Janela de transferências a fechar. Conclusão: não há dinheiro!
NOTA 4 - Mourinho insinua que há uma campanha dos árbitros para prejudicar o Chelsea. Castigo: 33 mil euros de multa. É preciso dizer mais sobre o regabofe português?
JARDIM DAS ESTRELAS (uma)
Meritocracia?
Esta semana houve entrega das insígnias da FIFA aos árbitros internacionais. Benquerença falou bem: é preciso medidas mais severas. É preciso um compromisso global. Mas o sector da arbitragem precisa de sair, simultaneamente, de cima das suas tamanquinhas. Por mais qualidade que os árbitros jovens possam indiciar, como é o caso de Tiago Martins e Fábio Veríssimo, alguém entende que ambos possam chegar a internacionais sem terem feito praticamente jogos na 1.ª Liga? Que raio de sistema é este? É assim que se credibiliza o sector?
Ewerton-Uvini - que se passa?
Há coisas que não se entendem. Percebia-se desde a época passada que o Sporting precisava de um defesa central de qualidade indiscutível. Uma equipa que tem pretensões a ser campeã nacional não pode desprezar evidências primárias. A dupla Maurício-Sarr fez estragos suficientes, permitindo que Paulo Oliveira se impusesse e Tobias Figueiredo aparecesse. Mas é curto.
A estupefacção maior relaciona-se com a contratação de um jogador (Ewerton) que esteve 4 meses parado. Como é que se contrata um atleta nestas condições... em Janeiro? Coisas de empresariado e respectivas ligações?! A notícia de que o Sporting já se virou para um outro "central" (Uvini) parece uma brincadeira (pré)carnavalesca. É que este Uvini não joga desde Novembro e não pega em lado nenhum por onde tenha passado... Que se passa?