Figura da Semana: Cristina Boavida

Figura da Semana: Cristina Boavida

Exibido na SIC, na última terça-feira, "Amo-te Teresa" - o primeiro telefilme português - conquistou e convenceu os portugueses, que se renderam ao amor entre uma mulher de 35 anos e um rapaz de 15. Cristina Boavida foi a autora e co-realizadora desta história e a grande responsável por este sucesso da estação de Carnaxide, que nessa noite bateu recordes de audiências. Licenciada em Comunicação, Cristina Boavida começou a trabalhar na RTP e entrou para a SIC em 1992, fazendo grande informação para o programa Esta Semana desde há um ano e meio. Para esta adepta do Sporting, o mundo do desporto, principalmente do futebol, é extremamente interessante para escrever um argumento ("Sei que histórias não faltam..."), mas confessa que não sabe se teria a coragem suficiente para se envolver no meio. Talvez depois do projecto "Guiné", mais um argumento da sua autoria, que concluiu recentemente as filmagens

- Como surgiu o argumento do "Amo-te Teresa"? Foi baseado numa história real ou é puramente ficcional?

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- Foi uma história que me veio à cabeça, não houve nenhuma razão extraordinária. Tinha feito uma tentativa de literatura há muito tempo. Era uma história vagamente parecida. Não foi por causa da professora americana e do seu aluno, mas poderia ter sido.

- Tem mais projectos do género na calha?

- Entretanto, escrevi mais um argumento, que já foi filmado também para telefilme pelo Luís Galvão Teles, que foi mais ou menos uma encomenda da SIC. Até agora chama-se "Guiné" e acabou de ser filmado há uma semana.

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- Em que função se sente mais realizada? Como jornalista ou como guionista?

- Tenho momentos em que prefiro ser jornalista, tenho momentos que prefiro ser argumentista ou realizadora. Não consigo fazer uma escolha. Acho que as duas estão de alguma forma ligadas, pelos menos, para mim. O jornalista é a fonte e depois o resto é fazer aquilo que não se pode fazer no jornalismo por deontologia ou ética.

- Receou de alguma forma a reacção do público, devido à hora em que o filme foi exibido, e visto tratar-se de uma relação que pode ser vista como pedofilia?

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- Recear não receei, aliás, quando o filme foi feito nós não sabíamos a que horas é que o filme ia para o ar. Se calhar, o filme até devia ter passado a uma hora mais tardia, atendendo às liberdades de linguagem. As pessoas podiam mudar de canal se se sentissem chocadas.

- Como é que tem sido o "feed-back"?

- Até agora as pessoas que falaram comigo só disseram bem do filme, o que é natural porque as outras não me dão a opinião. Até agora as reacções têm sido bastante positivas.

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- Mudando de agulha. Viu o último Benfica-Sporting?

- Por acaso liguei a televisão, mas só vi bocadinhos do jogo. Na altura estava a fazer outra coisa e estava com a televisão em fundo.

- Gostou mais da exibição do seu Sporting ou da realização da SIC?

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- É uma pergunta complicada. Curiosamente, quem realizou o jogo foi o Ricardo Espírito Santo, que realizou também o filme. Não vi o suficiente para avaliar a realização, mas penso que houve um problema com um fora-de-jogo porque foi ele que me contou. Não sei o que se passou, mas tenho a certeza que ele não faria nada que prejudicasse alguma das equipas.

- O mundo do futebol sugere-lhe algum argumento futuro?

- Acho que o desporto é um mundo extremamente interessante e rico, principalmente no futebol. Mas não sei se teria coragem para escrever um argumento. Seria bastante complicado. Mas histórias não faltam...

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- Que vantagens vê na aposta da SIC nos telefilmes "made" em Portugal?

- Na minha opinião, esta aposta da SIC nos telefilmes premeia o cinema português. Em primeiro lugar, além de criar emprego vai permitir às pessoas trabalharem mais e, portanto, evoluírem. Em segundo lugar, vai estimular pessoas que achavam que nunca conseguiriam fazer cinema ou ficção a terem coragem para se apresentarem. Vai permitir criar novas oportunidades e o aparecimento de pessoas novas, o que é sempre positivo.

LUÍS NUNES

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