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FPF é uma nação

FPF é uma nação

Poucas coisas em Portugal têm pior conotação que a expressão “uma visão economicista”. Pois bem, este texto é o que se pode chamar de “uma visão economicista” das eleições da Federação Portuguesa de Futebol. E no entanto, como se lerá no final, talvez não.

Fernando Gomes ganhou, confirmando o favoritismo, as eleições da federação. Já aqui se falou sobre o que isso significa do ponto de vista do poder entre Lisboa e Porto, do impacto nos processos de arbitragem e até do que isso representa dentro do PSD. Hoje é outro aspeto que se sobrepõe: pela primeira vez, a FPF terá à sua frente alguém que já geriu alguma coisa na sua vida. Fernando Gomes tem não só a experiência mas sobretudo o pragmatismo de um gestor. É isso que ele traz para a federação: a visão e competência de quem observa o futebol de uma forma evoluída, como uma indústria – sim, uma indústria - que tem de ser gerida com rigor e com estruturas de governação diferentes das que têm prevalecido.

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Estamos a falar de transparência, de honestidade, de incorruptibilidade. Faltam todas no futebol português. E por mais que muitos o queiram negar, isso é mau para o desenvolvimento e afirmação do futebol português. Porque afasta líderes, instituições e até patrocinadores de Portugal. Não se exige a Fernando Gomes menos do que isso: transparência e escrutínio do futebol, para que ele possa, enquanto “indústria”, subir para os níveis mais elevados da Europa.

A fossilização da FPF acabou por retirar-lhe importância e autonomia. O período de Gilberto Madaíl prolongou-se tempo de mais. Esperemos que o período de Fernando Gomes não se inicie tarde de mais. E isso nada tem a ver com “uma visão economicista”. Só com boas contas, gestão transparente e visão de futuro se consegue o que interessa: melhor futebol.

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