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Surgem as primeiras notícias segundo as quais, no rescaldo da participação de Portugal no Campeonato do Mundo, “podem rolar cabeças”. A FPF está com um problema de timing: não age em antecipação, não age nem reage quando mais se justificaria e a imprensa aponta para algumas decapitações, outra vez, convenhamos, fora de tempo. Aliás, a menos que haja para aí um “mexilhão” menos protegido (o médico Jones?), já todos se ilibaram uns aos outros. Se o presidente da FPF, Fernando Gomes, parece alérgico a rupturas e já recusou o único desenlace óbvio; se o seleccionador diz que “sou o único responsável pela eliminação” mas depois actua como um vencedor, o que se pode esperar verdadeiramente da análise federativa – a revelação da marca do detergente?...
A FPF está em fase de reuniões, a tentar apurar o que correu mal no Campeonato do Mundo, em cuja competição Portugal não conseguiu apresentar nem resultados nem futebol de qualidade, e neste ponto o contraste é enorme, pois temos assistido a jogos de grande nível, com muito empenho, espectáculo, muita competitividade e variações técnico-tácticas. Pelos sinais emitidos, não se espera nada de muito relevante dessas reuniões, porque a FPF, através de Fernando Gomes, Humberto Coelho e Paulo Bento, encarregou-se de eliminar, logo à partida, qualquer possibilidade de balanço consequente. Não deixa de ser curioso, mesmo num ambiente em que ressalta à vista o falhanço na prossecução dos objectivos pré-definidos (passagem aos oitavos), que as conclusões sejam apresentadas antes de se consumar a análise à situação. Quer dizer: o presidente da FPF nunca vai achar que a forma célere como patrocinou, cegamente, sem um mínimo de cautela, todas as ocorrências vividas no Mundial – uma consequência dessas apostas – o comprometem e responsabilizam directamente. E se passasse a achar, após uma análise mais fria, que o seleccionador nacional foi o principal responsável pelo mau Campeonato do Mundo realizado por Portugal, não teria espaço de manobra para demitir Paulo Bento, depois do contrato (recente) que rubricou – um acto difícil de qualificar... – e das declarações que produziu logo a seguir à eliminação da equipa portuguesa. Um verdadeiro desconchavo federativo, que atraiçoa o grau de responsabilidade subjacente a uma instituição de utilidade pública.
Se há algo que este Mundial demonstrou, foi a falta de dimensão do seleccionador para o cargo: levado ao colo para sustentar um grupo de jogadores à volta de Ronaldo – por isso há muita gente comprometida com o que aconteceu no Campeonato do Mundo... –, Paulo Bento não tinha nem currículo nem perfil para ser o responsável máximo pela Selecção Nacional. Dir-se-á que, no passado, isso já havia acontecido. Verdade. Contudo, a crescente profissionalização da FPF deveria ter obrigado a critérios de escolha mais exigentes. O seleccionador nacional, ainda por cima num país pequeno como Portugal, tem de ser um treinador capaz de promover a inclusão e não a exclusão. A Selecção Nacional não é um clube e nem sequer tem um clube português a constituir-se como a sua base de recrutamento. Apenas conta – para o bem e para o mal – com o “minibus” do Real Madrid. A Selecção e o seleccionador nunca podem promover a exclusão dos jogadores de melhor rendimento e mais bem preparados. Foi o que aconteceu no pós-Europeu. A Selecção, por vontade do seleccionador, ficou reduzida a um “clube VIP”. E foi esta responsabilidade que, até à data, ninguém soube assumir. E Bento perde muito, publicamente, quando não consegue livrar-se de um certo orgulho de ser o carcereiro deste cárcere. Deixou-se ultrapassar pelos acontecimentos e foi atropelado pelos seus próprios dogmas e contradições.
NOTA 1 – Não estou, nunca estive e não vejo forma de poder estar de acordo com esta nova febre dos fundos de investimento no futebol. Não se conhece os titulares, não se conhece as caras envolvidas no negócio, embora transpareça muita falta de ética e um ror de incompatibilidades, envolvendo dirigentes, treinadores, empresários e superagentes. André Gomes e Rodrigo foram dados como vendidos, mas nenhum clube ainda os comprou. A operação foi montada por Jorge Mendes, em linha com o empresário de Singapura Peter Lim, que já tinha em mente o processo de aquisição do Valência. O Benfica viu aqui, em princípio, uma forma de encaixar verbas significativas, mas teve de abrir as portas do treino aos jogadores porque eles (ainda) não podem envergar a camisola... de um qualquer fundo de investimento. Isto está tudo ligado, como dizia o outro, e há que esperar que Lim compre o Valencia para Nuno Espírito Santo, entretanto contratado (por 1 ano!...), poder aspirar... a ser, a prazo, um candidato ao lugar de Jorge Jesus. Ah, grande Mendes: está em todas!...
NOTA 2 – Com Ricardo Salgado fora do BES, que contas vai fazer (e com quem...) Luís Filipe Vieira?
JARDIM DAS ESTRELAS
Estados Unidos – come on!... (****)
Este Mundial está a ser dominado pelo bom futebol, pelo equilíbrio, pela plasticidade táctica e pelos bons guarda-redes. Mas este Mundial promete ser relembrado pela definitiva explosão do futebol nos Estados Unidos, a partir do bom desempenho da selecção comandada por Klinsmann e muito exaltada por Obama. O interesse dos norte-americanos no Campeonato do Mundo, expresso nas audiências televisivas e na mobilização de milhões de cidadãos em redor da prova, mais a crescente qualidade que se vislumbra na MLS, faz-nos acreditar que os Estados Unidos vão estar empenhados na (re)vitalização do futebol à escala global. E isso é bom, porque o futebol precisa de mais e melhor democracia; e precisa de abrir as mentalidades...
O CACTO
2,4M€ por Garay?
A SAD do Benfica comunicou à CMVM a alienação da totalidade dos direitos desportivos de Garay ao Zenit por 6M€, esclarecendo depois que lhe são atribuíveis 40% dos direitos económicos do atleta, isto é, um encaixe de 2,4M€. Sabendo-se que o contrato terminava em 2015 e a cláusula de rescisão ascendia a 20M€, parece evidente que se trata de uma venda por valores invulgarmente baixos para um jogador da qualidade do internacional argentino. Como no futebol não há almoços grátis, fica a sensação de que, neste negócio, ainda não está tudo contado. Por quê?