Futebol está de parabéns

Portugal não ganhou o Europeu. Ficou-se pelos quartos-de-final. Foi pena, pois mantenho a ideia de que Scolari tinha à sua disposição recursos suficientes para sonhar alto. Mas, sobre esse assunto, já se disse muito. Tudo ou praticamente tudo... Talvez em 2010, na África do Sul, sob a batuta de alguém que não sabemos ainda quem é, seja a nossa vez de festejar. Isto, acreditando que não vai acontecer nenhuma tragédia durante a fase de qualificação para o primeiro Mundial africano...

Mas, mesmo depois de uma prestação cinzenta da Selecção neste Europeu, depois de ver a final da competição, estou satisfeito. E não só porque os títulos estão a aproximar-se de Portugal. A vitória da Espanha simboliza o triunfo da qualidade, do futebol positivo, de quem assume o jogo e se recusa a ficar à espera do erro alheio, mesmo sem desguarnecer a defesa (nem um golo sofreram nos jogos a eliminar, tendo defrontado Itália, Rússia e Alemanha).

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Admito que saber tirar partido dos deslizes contrários é uma arma tão válida quanto outra qualquer. A eficiência, como se costuma dizer, merece ser reconhecida. Mas, quando não estamos directamente envolvidos numa disputa, quem gosta de futebol torce sempre por aqueles que jogam mais à bola. E na final de Viena, sem discussão, foram os espanhóis quem melhor tratou a "redondinha". Os alemães chegaram a ter alguns períodos de maior fulgor - nomeadamente na segunda parte -, mas poucas vezes apoquentaram Casillas. E quando o fizeram foi mais à custa da força, da habitual superioridade física. Futebolisticamente falando, a Espanha esteve sempre em vantagem. E como não facilitou na defesa... ganhou. Normal!

Mas, para além do que se passou nesta final, os amantes do desporto-rei devem estar contentes por, agora, voltarmos a ter um campeão europeu que joga verdadeiramente futebol. Em 2004, para desgraça cá da rapaziada, os vencedores da prova não passavam de um conjunto esforçado, lutador, mas sem uma qualidade que, por norma, se exige a quem ostenta títulos europeus ou mundiais. Pois bem, 4 anos volvidos, o futebol saiu vencedor.

Agora, enquanto os nossos vizinhos vão ter um defeso em festa, em Portugal é hora de todos se concentrarem nas movimentações do mercado. E, claro, nas decisões dos conselhos, tribunais e afins. Em Portugal, decididamente, o futebol não se esgota dentro do campo, nem em 90 minutos. Era só o que faltava! A UEFA, coitada, promete estar atenta a esta nossa "inovação"...

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