Que o futebol tem muito a ver com economia, já sabemos, temos escrito muito aqui sobre isso. Tem a ver com economia (consumo), exportações (venda de jogadores), negócios (algumas contratações…) e negociatas (…algumas contratações). Mas também tem a ver com Bolsa, ainda que com mais visibilidade que com rentabilidade.
Uma ação valoriza-se ou desvaloriza em Bolsa por várias razões, incluindo especulativas. Mas a teoria financeira diz que, no fim, elas valem pela antecipação dos lucros futuros que são entregues aos acionistas: invisto hoje para receber nos amanhãs, ano após ano. Ora, as sociedades anónimas desportivas portugueses nunca distribuem dividendos. E como não há dividendos, ou seja, como nunca há lucros entregues aos acionistas, as ações caem. E muito.
Apesar do valor, as sociedades anónimas desportivas são das ações com mais visibilidade entre os seus acionistas. Um estudo sobre reputação na Internet revelado há dias, da autoria da Imago - Llorente & Cuenca, revela que a presença e procura de informação sobre empresas cotadas portuguesas nas redes sociais é basicamente uma miséria: serviços fracos que atraem pouco tráfego. Com apenas uma exceção: o desporto. Aí, o Porto lidera, seguindo do Sporting e só depois do Benfica. E isso prova que a notoriedade destas marcas na Internet é tão ou mais forte como fora dela, seja para visitar os seus sítios, páginas nas redes sociais ou canais de vídeo.
A isto chama-se efeito de visibilidade marca, de que o futebol é hoje um poderoso atributo. Em termos europeus, o Real Madrid é líder, seguido do Manchester United. E isso transforma-se depois em receitas de canecas, camisolas, bolas ou tatuagens. A única coisa estranha é que entre tanto lucro, nem um euro sai para o bolso dos acionistas. Deve ser azar...