Futebol sustentável

Futebol sustentável

A partir da próxima época, tudo indica que a UEFA vai implementar as regras do fair play financeiro. Em termos sucintos, isto significa que os clubes estarão impedidos de gastar mais do que aquilo que ganham, sob pena de serem excluídos das competições europeias. O equilíbrio financeiro será uma obrigação e forçará os clubes portugueses a ajustarem o seu modelo de negócio, de modo a garantirem sustentabilidade.

Esta decisão da UEFA é uma medida mais do que necessária. A continuarem as coisas como estão, a maioria dos clubes que participam nas provas da UEFA (e as outras equipas ainda mais) caminha lentamente para a falência e extinção, como indicou um estudo do organismo que constatou que 63% dos clubes europeus apresentam prejuízos todos os anos. Nenhum sector empresarial garante a sobrevivência sem lucros e a indústria do futebol não é exceção.

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Os próprios clubes têm a noção de que é preciso mudar. Não há milagres. E os xeques árabes, oligarcas russos e fundos asiáticos que apareceram a injetar capital em clubes como Manchester City, Chelsea, PSG e Monaco, entre outros, apenas contribuíram para inflacionar o mercado no que diz respeito ao valor das transferências e salários de jogadores, o que representa mais encargos para os clubes que não têm investidores, no sentido de se manterem competitivos desportivamente.

Numa Europa dominada nos últimos anos por clubes ingleses e espanhóis, o fair play financeiro poderá vir a mudar a ordem das coisas. Os clubes alemães, provenientes de uma economia mais forte e com uma cultura de gestão mais saudável, poderão sair a ganhar com as novas regras, tendo como expoente máximo o Bayern Munique, atual campeão europeu.

O gigante alemão, hoje talvez a maior potência futebolística do planeta, é um clube modelo e exemplo daquilo que deverá ser o futebol no futuro, estando neste momento muitos clubes a tentarem replicar o seu sucesso. Trata-se de um clube praticamente sem passivo (as únicas dívidas dizem respeito à construção do novo estádio e estão quase liquidadas), em que 85% das receitas são provenientes do merchandising e de direitos televisivos, não dependendo das verbas oriundas da venda de bilhetes (15%).

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No que respeita ao futebol propriamente dito, o Bayern é hoje um clube com vários jogadores da sua cantera, mantendo o ADN alemão, sem com isso deixar de fazer contratações cirúrgicas de elementos capazes de melhorar o nível da equipa. Assim se explica, em boa parte, a razão de este clube ter estado, nos últimos quatro anos, em três finais da Liga dos Campeões.

Nem todos os clubes europeus terão o mesmo nível de rendimentos do Bayern, sobretudo na questão televisiva, mas há processos que poderão ser imitados com êxito por outros emblemas (FC Porto, Benfica e Sporting incluídos). Com um passivo conjunto que ultrapassa os 600 milhões de euros, os três grandes do futebol português vão ter de apertar o cinto. Se nada for feito para equilibrar as contas, a situação pode tornar-se insustentável.

Será importante que os clubes tenham a consciência de que o financiamento bancário e outras formas de endividamento deixaram de ser um canal viável e que o negócio do futebol em Portugal passará, inevitavelmente, pela valorização de jogadores jovens, assim como pela deteção de talentos fora de portas. Somos um viveiro do futebol europeu e temos de saber usar essa valência como modelo de sustentabilidade.

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O CRAQUE

Um central de topo

Lançado à titularidade na época passada, Paulo Oliveira pegou de estaca na defesa do V. Guimarães. O jovem defesa-central vimaranense tem impressionado pela qualidade que demonstra dentro de campo. Forte no jogo aéreo e confortável com a bola nos pés para sair a jogar, é um jogador com garra e excelente capacidade de antecipação, sabendo ler o jogo quase sempre na perfeição. Com o regresso de Abdoulaye ao FC Porto, é agora a principal figura da defesa do V. Guimarães. A sua margem de progressão é enorme e a pré-convocatória para a seleção é mais do que justa.

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A JOGADA

Experiência é importante

De regresso ao Irão e ao Tractor, Toni venceu recentemente a taça daquele país e qualificou ainda a equipa para a próxima edição da Liga dos Campeões Asiáticos. Toni representa uma geração de treinadores de qualidade, cada vez mais esquecida pelos clubes portugueses, que mostra lá fora que tem elevados níveis de conhecimento e capacidade para fazer a diferença. Em Portugal, estão a surgir vários treinadores jovens igualmente com muita qualidade, mas há que não desvalorizar a experiência de outros técnicos que têm ainda muito para dar ao futebol.

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A DÚVIDA

Queridos inimigos

Durou pouco tempo o clima de paz entre José Mourinho e Arsène Wenger. Na primeira passagem de Mourinho por Inglaterra, o treinador português nunca se entendeu com o técnico do Arsenal. O francês, que é um “gentleman” e tem pouco jeito para “mind games”, disse que o português tinha medo de falhar. Mourinho foi lesto a responder e disse que Wenger sabia do que falava porque é um “especialista em falhanços”. À medida que o campeonato inglês se aproximar do fim, com Chelsea e Arsenal na luta com o City, este duelo ainda terá novos episódios. Quem vencerá?

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