Gente de Dublin

Gente de Dublin

Dois acontecimentos dominam hoje a agenda em Portugal: as eleições legislativas de 5 de Junho e a final da Liga Europa de 18 de Maio. Dos dois, só há um cuja análise é realmente importante: o Porto-Braga. Porque no outro embate já se sabe quem ganha, é o FMI.

A ironia não é para levar a sério, mas serve para relevar que muito do que tem sido dito nestas eleições também não o é. Há uma simulação de propostas eleitorais e uma dissimulação das suas consequências, quando no fundo todos sabem – todos sabemos – que a partitura está escrita pela troika do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu. O próximo Governo terá a margem para mudar que um equilibrista tem na corda bamba. É cortes de um lado e impostos do outro.

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Vamos pois à outra “eleição”, a de equipa vencedora da Liga Europa: Braga ou Porto? Ao contrário do que tem sido dito, há neste caso vencedor antecipado: ambas as equipas. Porque esta final coroa a época magnífica das duas equipas portuguesas que melhor jogaram e mais conquistaram no final de um ano, em relação ao que no início se propunham e do que delas era possível esperar. Que conquistam? Tudo, no caso do Porto. Mais do que nunca, no caso do Braga.

Na final de Dublin jogarão as equipas e os jogadores que mais se excederam este ano. Ambas lideradas pelos melhores treinadores do campeonato nacional, que são ambos portugueses - e jovens. Uma das equipas, é justo reconhecer, chegou aqui muito mais inesperadamente do que a outra. Este ano, o Braga mereceu tudo o que conquistou. Digo eu, que sou Guerreiro.

Portugal e a Irlanda serão, por um dia, notícia na Europa por razões bem diferentes – e melhores – das suas catástrofes económicas. Um país visita, e o outro recebe, uma final de futebol. E Portugal já a ganhou.

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