_

"Golpetegui" no eixo Dragão-Luz

"Golpetegui" no eixo Dragão-Luz

E, de repente, por causa da contratação de Julen Lopetegui pelo FC Porto, gera-se um “nervoso miudinho” no Dragão e também na Luz. Tudo por causa de Jorge Mendes, o “agente FIFA”, que já não pode ser visto “apenas” como um super empresário: ele hoje é observado como o “centro do negócio”. E quem está no “centro do negócio” influencia, determina, concretiza, manda, inviabiliza, atrasa, acelera. Tira e põe jogadores e treinadores – ganha muito dinheiro e dá muito dinheiro a ganhar. E não apenas a jogadores e treinadores. A (não) participação de Mendes na “operação Lopetegui” já criou um número considerável de notícias e opiniões. É matéria inflamável e sensível que escapa à opinião pública, vista com outros olhos por quem avalia, no dia-a-dia, a posição de Mendes no mercado e os estragos que pode causar na gestão financeira mas também desportiva dos clubes. No FC Porto a questão do “ataque ao mercado” e o tema da intermediação na compra e venda de jogadores há muito que está a causar impacto, internamente, no Dragão.

A contratação de Lopetegui foi um “murro no estômago” para quem esperava que Pinto da Costa reservasse para este momento a contratação de um treinador que causasse sensação no futebol português e gerasse uma onda de entusiasmo junto da nação portista. Pinto da Costa e o FC Porto precisavam disso. De algo que devolvesse esperança à comunidade azul e branca, depois de uma época tão desastrada.

PUB

A primeira conclusão, perante tão pífia aposta, foi atirada para o campo financeiro: o FC Porto não tem dinheiro para um treinador de topo ou prefere continuar a insistir na tese de que a “estrutura” tudo resolve, mesmo perante o facto de que, na verdade, já não é assim?

Não acreditando nessa tese, de que o FC Porto poupa voluntariamente no treinador para dar satisfação a outros custos laterais, sobram duas hipóteses para decifrar o “mistério Lopetegui” e ambas têm a ver com as dinâmicas que se acastelaram no Dragão, desde que Pinto da Costa permitiu a Antero Henrique o domínio do negócio das transferências: quem entra, quem sai, como entra, como sai, quem joga, quem não joga, quem interfere, quem ganha – e toda a jigajoga relacionada com estes intrincados e densos domínios.

O que esta época permitiu concluir é que o emblema do FC Porto emagreceu muito. E emagreceu muito à conta da falta de eficácia de um conjunto de mecanismos que já fizeram a felicidade dos adeptos portistas e levaram muitos troféus para o museu. Se a equipa joga e tem resultados, os negócios são bons e ninguém questiona se as aquisições foram conseguidas pelo preço justo; se a equipa não joga e não tem resultados – como aconteceu ao FC Porto na presente temporada desportiva – os falhanços tornam-se mais nítidos. Parece claro que o FC Porto não está tão agressivo no mercado e o processo de reforço da equipa principal conheceu agora um momento delicado. Foi a acumulação de erros, uma certa presunção e arrogância e a convicção de que o grau de satisfação interna dos dirigentes era suficiente para todos continuarem a sorrir.

PUB

Não foi por acaso que assistimos, ao contrário do que é normal, à publicação de um conjunto de notícias em redor de Antero Henrique – a figura que domina os corredores e os labirintos das transferências. Notícias de ruptura, de saída do Dragão (para o PSG ou para Inglaterra) para... tudo ficar na mesma. O grau de compromissos é grande. Este é o sinal de que a “rede de Antero” está a ser fortemente questionada, não apenas por quem, aqui e ali, observa os mais recentes desconchavos, mas também e sobretudo pelo “filho do presidente” (Alexandre Pinto da Costa), cuja reconciliação com o pai ditou um novo ciclo de relações no Dragão e algum mal-estar na forma como têm sido conduzidas certas negociações com jogadores.

A segunda conclusão aponta para que Lopetegui seja apenas, independentemente dos seus méritos de treinador, uma forma de aproximar Jorge Mendes do FC Porto. Jorge Mendes que tem sido um parceiro importante de Luís Filipe Vieira e do Benfica, em tudo o que se relaciona com o mercado.

A grande questão é apurar se Mendes (que enviou os colaboradores para o apoio à “operação Lopetegui”...), até agora apenas chamado a gerir algumas “saídas”, terá algum papel substantivo nas futuras “entradas”. E aí colocam-se novas duas questões: Antero aceita recuar? Como vai gerir Mendes as suas relações com o “Benfica de Vieira”? Quem vai sair a perder? E quem vai sair a ganhar? Muito interessante para análise futura este... “Golpetegui”.

PUB

O CACTO

Justiça desportiva?

O V. Guimarães-Benfica e os incidentes ali registados há quase oito meses caíram na alçada disciplinar da Liga (CII) e da FPF (CD e CJ), mas o desfecho para os árbitros foi, no mínimo, controverso. Para além do processo do qual Jorge Jesus saiu naturalmente com castigo, a curiosidade estava em saber o que iria acontecer aos agentes desportivos (árbitros e delegados) que não reportaram – como é sua obrigação – os respectivos incidentes. A CII da Liga deduziu acusação, o CD da FPF puniu os juízes com um jogo de suspensão e o CJ veio agora “limpar” os castigos de Bruno Esteves, Mário Dionísio, Rui Teixeira e Manuel Oliveira.

PUB

É uma péssima decisão para a integridade das provas e do futebol profissional, porque são os árbitros e os delegados que devem zelar para que não haja desvios de comportamento que ponham em causa a ética e a verdade desportiva(s).

É um péssimo princípio promover a ideia de que os árbitros e delegados se podem esconder atrás de uma árvore para não verem o que se passa em seu redor num jogo de futebol, antes, durante e depois da competição. Em vez de se estimular aqueles agentes desportivos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para relatar os factos, faz-se o contrário. Não se consegue provar que eles viram?! É a jurisprudência do deixa-andar e da desresponsabilização. Péssimo!

Deixe o seu comentário
PUB
PUB