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A derrota do Benfica na Alemanha e, mais do que a derrota, a forma como o campeão nacional foi subalternizado em Leverkusen não podem deixar de suscitar profunda reflexão sobre a diferença que se estabeleceu entre as duas equipas; entre os campeonatos em que cada um dos contendores actua; e, finalmente, entre as respectivas competições domésticas e a Champions em particular.
Bem se sabe que a Champions é, entre os calendários internacionais de clubes, aquele que pressupõe maior exigência e preparação. É neste quadro competitivo que achamos os melhores jogadores e treinadores e os mais bem pagos. As estruturas nas quais esses jogadores de elite se encaixam representam muitos milhões de euros. São necessárias, por isso, respostas eloquentes, mas as diversas dimensões financeiras e orçamentais não podem deixar de estabelecer diferenças essenciais, com consequências no plano dos resultados desportivos. As equipas de menores recursos tentam bater-se de igual para igual, mas só no âmbito de um estado de superação invulgar, em contraponto com um desempenho menos inspirado e menos esforçado do conjunto mais apetrechado, pode surgir uma surpresa.
O líder do campeonato português e actual campeão nacional, que se tem revelado este ano “suficiente” para a competição doméstica mas não tão convincente como noutras épocas, exibiu no arranque desta edição da Champions uma fragilidade confrangedora. A equipa dirigida por Jorge Jesus vem revelando argumentos na Liga portuguesa mas as derrotas registadas frente ao Zenit, na Luz e agora em Leverkusen, em ambiente de Liga dos Campeões, mostraram que a equipa não está preparada para responder a um nível de intensidade (competitiva) mais elevado. Grande parte do jogo com os russos já havia revelado esse problema. Um problema acentuado nesta visita do Benfica à Alemanha.
Pelo discurso de Jorge Jesus, que insiste na tese de que “a prioridade é o campeonato”, já se percebeu que há uma tendência do treinador dos encarnados em aceitar a diferença. Sabemos todos que, à partida, nenhuma equipa portuguesa está em condições de responder aos melhores argumentos das equipas de topo da Champions, como são, designadamente, o Real Madrid, o Barcelona, o Chelsea e o Bayern Munique, num primeiro patamar de qualidade. A possibilidade de uma equipa portuguesa voltar a vencer uma Liga dos Campeões é, pois, ínfima. Mas se esta evidência não merecerá muita contestação, a verdade é que a aparente “renúncia” do Benfica levanta outro tipo de questões.
Quem luta pela conquista do título em cada campeonato, como é o caso, na Liga portuguesa, do Benfica, FC Porto e Sporting, não pode deixar de considerar, por inerência, a participação na Champions. Se não for para a colocar no plano das prioridades, em termos da gestão do plantel, como parece ter sido o caso das escolhas de Jorge Jesus em Leverkusen, então torna-se obrigatório rever a política orçamental. Para se ganhar o campeonato português e para se andar com as contas equilibradas; para se realizar meia dúzia de jogos mais exigentes na competição nacional, certamente não será necessário apontar para 80 a 100 milhões de euros de orçamento. É possível manter a verve competitiva em Portugal e não ir muito além dos 25M€/época, que é aquilo que o Sporting está a gastar neste momento, por força também do seu passado perigosamente despesista. A diferença para o Chelsea foi grande? Foi. Mas, se o Sporting gastasse o dobro ou mesmo o triplo com o seu futebol, alguma coisa de substancial mudaria nos jogos com o Chelsea ou com equipas da mesma igualha? Dificilmente.
Para ganhar ao Penafiel, ao Arouca e ao Moreirense, nem o Benfica, nem mesmo o FC Porto, precisam de gastar tanto dinheiro. Acontece, porém, que a gestão do FC Porto não discrimina as provas europeias, e isso faz toda a diferença. E, sobre esta matéria, Vieira e Jesus têm de pôr-se de acordo. Tanta propagandeada proximidade, tanto entendimento até por sinais de fumo, e não há diálogo sobre uma temática tão premente e estruturante?
Esta deslocação do Benfica a Leverkusen levanta dois outros tipos de problema:
1) Esta equipa é bem inferior à da época passada;
2) O ritmo competitivo da Liga portuguesa é uma brincadeira em relação ao que se observa na maior parte das ligas europeias.
Esta última conclusão coloca tudo em causa e recupera uma ideia que defendemos: o futebol português tem um bom nível táctico, mas as equipas “andam pouco”. Por quê? Não estará por fazer uma “revolução” física no futebol português? As equipas portuguesas não deveriam ter outro andamento?!...
JARDIM DE ESTRELAS - ****
Santos rompe
Na primeira convocatória de Fernando Santos há que saudar a recuperação de alguns jogadores que, em condições normais, serão uma mais-valia para a Selecção. Com Danny, Tiago, Adrien e Quaresma, Portugal fica futebolisticamente mais forte. Ricardo Carvalho ainda pode ser muito útil. Justificadas as chamadas de Cédric, Eliseu e João Mário, e muito interessante o apelo feito a Ivo Pinto e José Fonte. Santos rompe com Eduardo, João Pereira, Veloso, Meireles, Postiga e Hugo Almeida, entre outros, aniquila o “preconceito Sporting” e agora, em pouco tempo, precisa de criar um bom espírito de grupo. Vai Portugal abdicar do 4x3x3 e jogar de outro modo? Como é que Cristiano Ronaldo vai olhar para esta nova realidade?
CACTO
Já chega!
A situação da Liga de clubes é o espelho da realidade do futebol português, ao nível da sua organização e da qualidade dos seus protagonistas. A vontade de bloquear e inviabilizar é mais forte do que a vontade de resolver. Os candidatos às últimas eleições já poderiam ter contribuído para o desanuviamento, retirando-se nesta fase. Mas nada desculpa a passividade, primeiro, da Federação e, depois, do Governo. A situação actual, do conhecimento das instâncias internacionais, só desqualifica ainda mais a imagem do nosso dirigismo. Pobre, muito pobre, ao nível da indigência absoluta.