Grandes lucros

Grandes lucros

Os “três grandes” já apresentaram os resultados do primeiro trimestre desta época. Todos tiveram lucro, Sporting, Benfica e Porto. Mas a maravilha é bastante extraordinária. Estamos basicamente a falar de venda de jogadores.

Na semana passada, aqui falámos dos lucros de 10,5 milhões de euros do Sporting. Ontem, foram revelados os resultados líquidos positivos de sete milhões de euros do Benfica e de 17,7 milhões de euros do Porto. Total: mais de 35 milhões de euros. Uma primeira análise concluiria pois que o futebol é uma atividade muito rentável. Mas não é, pois estes são clubes que têm grande parte das suas receitas operacionais (bilheteira, patrocínios, merchandising...) destinadas ao pagamento dos altos salários dos jogadores e do pesado serviço da dívida à banca. Os nomes à frente destes resultados não são Bettencourt, Vieira ou Pinto da Costa, mas João Moutinho, Ramires, Bruno Alves e Raul Meireles.

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A viabilidade dos grandes clubes de futebol portugueses está hoje dependente da capacidade de vender caro jogadores que contrataram mais baratos. É por isso que se abastecem em viveiros de jogadores, sobretudo da América Latina. Acertam em poucos mas o que ganham com eles é suficiente para compensar o que perderam nos outros em que erram. Nos negócios, este tipo de atividade é conhecido como capital de risco.

Por cá, foi o Porto quem inaugurou este modelo de negócio e quem melhor se tem dado com ele. O problema é que não dá para viver eternamente de receitas extraordinárias, com a pressão anual de encontrar génios que se comercializam no final do ano. Quem irá o Porto, o Sporting e o Benfica vender no fim desta época? Faça-se apostas. Porque não há como não vender algum – e dos melhores.

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