Depois de já termos assistido, num passado não muito distante, a fobia similar no FC Porto, agora vivemos o período em que o Benfica denota necessidade aflitiva de ter três guarda-redes de nível quase idêntico. Acredito que haja alguém que concorde com a medida. Eu, assumo, não a percebo.
Não há nada que impeça uma equipa de futebol de alinhar com 5 ou 6 defesas; de colocar centrais nas faixas laterais; de apostar em 3 ou 4 médios de caraterísticas idênticas ou de entrar em campo com meia dúzia de avançados. Treinadores com ideias estranhas não faltam por aí. Mas, a menos que eu ande muito distraído, ainda não apareceu ninguém que se lembrasse de inventar um esquema táctico com dois guarda-redes. E se isso passar pela cabeça de algum visionário, é certo e sabido que, na baliza, só vai poder estar um!
O ano passado, as águias contavam com Quim, Moretto e Moreira. Fernando Santos apostou no habitual suplente de Ricardo na Selecção e foi dividindo o banco pelos outros. Depois, quando Quim se lesionou, Moreira teve a sorte de jogar alguns minutos (calhou-lhe nesse dia ser o suplente), mas na partida seguinte avançou o brasileiro, algo que não agradou à maioria dos adeptos, historicamente pró-Moreira. Perante os protestos, o técnico deu a entender que o mais jovem dos três guardiões não trabalhava tão bem quanto os restantes. Parecia um recado a indiciar a saída no final da época.
Finda a temporada, o treinador afirmou, vezes sem conta, que não precisava de ter três guarda-redes do mesmo nível. Se muitas vezes não concordei com o engenheiro, neste particular nada tinha a apontar. O que me fez confusão foi ouvir que o único que não sairia de certeza seria Moreira. Por outras palavras, as duas primeiras opções da época transacta eram dispensáveis, mas a terceira... não. Aqui, já não entendi!
Quando surgiu a notícia do empréstimo de Moretto aos gregos do AEK (clube que tem estranha "paixoneta" por jogadores encostados no Benfica...), fiquei com a ideia que a gestão dos guarda-redes encarnados iria ser mais fácil na temporada que aí vem. Mas, de repente, quando pensava que o terceiro "keeper" ia ser algum júnior, aparece a contratação do alemão Butt.
Feitas as contas, o Benfica volta a ter três guarda-redes de qualidade. Para mim, o nível até é superior ao do ano passado. Mas, sendo assim, Fernando Santos mudou de opinião; alguém dentro do clube não quer saber das ideias do treinador ou Quim, por alguma razão que desconheço, está mesmo de malas aviadas, embora o presidente tenha afirmado, recentemente, que não estão previstas saídas.
Resumo de tudo isto: não entendo a razão que leva um clube que procura racionalizar os custos a gastar uma fortuna com três guarda-redes idênticos. E menos entendo que se aposte num estrangeiro com 33 anos, quando os portugueses já mostraram do que são capazes . Bom, já sei que vão dizer que não é garantido que o germânico seja o titular. Mas, se a opção passar por Morera ou Quim, então para que servirá ter no plantel um veterano internacional alemão e logo com contrato de 3 anos?