Holandês que se dizia inteligente

Era demasiado evidente que a ligação entre FC Porto e Co Adriaanse não era muito sólida. O técnico holandês, vezes sem conta, arriscou forte, tecendo considerações tão duras quanto injustas, revelando teimosia misturada com arrogância e, ultimamente, dando a entender que estava disposto a um “braço de ferro” com Pinto da Costa. No último domingo, quando neste espaço abordei as suas últimas “façanhas”, avancei com a possibilidade de, muito em breve, o clube o mandar calar através de um “blackout”. Não sei se os responsáveis portistas o tentaram fazer. Garantido é que o treinador não fez esforço algum para ser mais recatado e tratar em privado assuntos melindrosos. Bem pelo contrário. Intensificou o seu “choradinho” para a imprensa, apelando à contratação de um avançado. Se pensava que iria deixar o presidente e seus pares em dificuldades... enganou-se!. E coitado, para quem repetiu até à exaustão que os seus jogadores não eram muito inteligentes, também mostrou lacunas a esse nível. O ser frontal e ter ideias próprias não é, necessariamente, sinal de sabedoria. E se o problema não é este, então terá de ser estratégico. O holandês não foi pelo melhor caminho para atingir os seus fins. A menos que estivesse interessado, por qualquer razão, em mudar de ares...

Decididamente, Adriaanse não entendeu o enquadramento em que estava no clube do dragão. Aliás, penso que ele nunca percebeu muito bem que País era este, pois desde que cá chegou que pareceu interessado em “salvar” Portugal. Alguém lhe deve ter dito coisas erradas sobre a nação e as pessoas. Provavelmente, nem sobre o futebol português se informou convenientemente. Caso o tivesse feito, não acredito que se lembrasse de dizer que o FC Porto não está condições de ombrear com Manchester United ou Inter de Milão. Que tirada tão absurda, quando se está a analisar o campeão europeu de há duas temporadas. E, tão ou mais importante, a sua própria equipa!

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Adriaanse quis ter uma postura “à Mourinho”. Mas isso, evidentemente, não é para todos. É preciso ter “feeling” para jogar tão alto. E ganhar, ganhar quase sempre. O holandês, verdade seja dita, venceu Liga e Taça de Portugal, mas nunca conseguiu agradar verdadeiramente aos adeptos portistas. E porquê? Essencialmente, porque a táctica do futebol ofensivo que Adriaanse tanto apregoava só pode funcionar se os adversários forem todos muito inferiores ou se o plantel à disposição contar com os melhores futebolistas do Mundo. E isso, num caso ou outro, não se verificava.

O holandês nunca se cansou de dar a entender que o seu modelo chegava e sobrava para ganhar em Portugal. O problema estava nas competições europeias. Não era bem assim. Quantos jogos ganhou o FC Porto ao Benfica o ano passado? Quantos golos marcou a sua equipa aos guarda-redes da Luz? E com o Sporting? Em três partidas (duas em casa) só ganhou uma (em Alvalade). De resto, dois empates, embora tenha ganho um na lotaria das penalidades. E com o Sp. Braga? Mais duas igualdades... O que isto significa é que o FC Porto, tendo sido o justo dominador da temporada transacta (e tendo exibido, na maioria das vezes, um futebol vistoso), nunca se deu bem com as equipas mais fortes, com aquelas que possuiam “armas” suficientes para tirar proveito de um adiantamento em campo tão arrebatador quanto ilógico por parte dos jogadores do FC Porto.

A conversa em torno da ausência do ponta-de-lança, que oficialmente esteve na origem do choque entre Adriaanse e Pinto da Costa, é outro tema “mal contado”. Os azuis e brancos não perderam, recentemente, com Manchester e Inter por causa do ataque. A equipa marcou em ambos os confrontos. A debilidade, a exemplo do que sucedeu na “Champions” da época anterior, residiu na defesa. O FC Porto sofreu 3 golos em Glasgow, outros 3 em casa diante do Artmedia, 2 em Milão e mais 1, no Dragão, com o Rangers. Razão principal? Debilidade defensiva, inclusive quando a equipa até jogava com quatro defesas em vez de três...

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E se a falta de dianteiros era assim tão evidente, porque razão Adriaanse não se opôs à venda de McCarthy, facilitou o empréstimo de Hugo Almeida e patrocinou a dispensa de Postiga, jogador a quem, há um ano, antevia brilhante futuro como camisa 10? Se estes não eram os seus avançados de eleição, pelo menos podia ter tido o bom-senso de só se livrar deles quando o tal “salvador” fosse contratado.

Pelo meio, Adriaanse ainda se lembrou de implicar com várias das figuras históricas do clube; contratou futebolistas vulgares; levou os “Super Dragões” a boicotarem jogos da equipa e até “viu” adeptos do Benfica na central do Dragão a acenar-lhe com lenços brancos. Neste momento, só tenho uma dúvida: porque demorou tanto o divórcio?

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