Opinião
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

Homem do ano

Jorge Jesus é bicampeão nacional pelo Benfica. É líder do campeonato pelo Sporting. Joga esta noite nas competições internacionais contra um clube de nome quase impronunciável, o Skënderbeu. Foi processado pelo antigo clube, é aclamado pelos adeptos do novo clube, está a ser investigado pelo que se leu nos seus lábios do que disse a um árbitro. E hoje é manchete não de um jornal desportivo, como de costume, mas de uma revista masculina. A 'GQ' escolheu-o bem como homem do ano, não há muitos mais pessoas com agenda tão preenchida. 

"Nobody f*cks with Jesus", qualquer coisa como "ninguém brinca Jesus" (numa versão muito mais legível ao pé de crianças…), é a frase da capa da revista e não é fácil desmenti-la. Mas na entrevista que o treinador dá à 'GQ' há a confissão de um sonho que dificilmente em Portugal poderá ser conquistado: ir a uma final da Champions League. Depois, na sua habitual prosápia, diz que se um dia sair de Portugal, chegará longe na Champions logo no primeiro ano.

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Numa altura em que José Mourinho está a descer em Inglaterra como uma maçã cai por um escorrega abaixo, Jesus confessa que ainda quer subir a ladeira de uma carreira internacional. Não é surpreendente. Mas dá que pensar. Até porque era isso que Luís Filipe Vieira parecia querer: que Jesus fosse pregar para outra freguesia, para lá das nossas fronteiras.

Jesus está já na história do futebol português e provavelmente ainda está longe de escrever o último capítulo. Veremos se ainda será outra vez Homem do Ano. Aqui ou no estrangeiro

Por Pedro Santos Guerreiro
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