Humilhação sadina

Nos tempos que correm, em que para ver golos numa partida de futebol é preciso ter alguma sorte, um resultado de 8-1 não lembra a ninguém. E se tivermos em conta que a formação derrotada não teve jogadores expulsos, custa ainda mais compreender um desfecho destes.

Naturalmente, a exibição do Benfica merece os mais rasgados elogios. Os encarnados correram, criararam oportunidades em doses industriais, revelaram uma eficiência rara em qualquer equipa e nem sequer abrandaram o pé quando, ao intervalo, já tinham uma confortável vantagem de 5 golos. Desta feita, ao invés do que sucedeu na recepção ao Poltava, parece que Jesus não deu ordens para refrear os ânimos. Provavelmente porque a equipa precisava de apagar a má imagem deixada na Ucrânia, provavelmente porque era preciso recuperar o fulgor ofensivo da pré-temporada depois de contra Marítimo e Vitória de Guimarães apenas terem conseguido marcar um golito de cada vez (e nos derradeiros minutos) e, já agora, provavelmente porque o técnico dos benfiquistas não morre de amores pelo líder do conjunto sadino...

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Mas, deixemos de lado o entusiasmo natural das águias. Que raio de equipa é esta que o Vitória está a construir? Uma coisa é não ter dinheiro para grandes luxos - e o popular clube sadino não possui, efectivamente, recursos que lhe permitam juntar um naipe de jogadores muito acima da média -, mas outra bem diferente é aparecer num dos principais palcos nacionais a jogar sem referências, sem rigor nas marcações, sem o trabalho de casa bem decorado, sem uma táctica minimamente compreensível, sem nada...

Há quem defenda que Carlos Azenha é um excelente treinador, mas também conheço quem diga exactamente o contrário. Para ser sincero, não tenho conhecimento suficiente sobre o seu trabalho para opiniar desta ou daquela forma. Mas, ainda assim, tenho de dizer que não antevi nada de bom quando, ao longo das últimas semanas, vi o autêntico corropio de jogadores que passaram pelo Bonfim. Uma equipa do escalão principal não pode andar em testes contínuos, avaliando basicamente toda a gente que lhe aparece à porta.

Não percebo também, como é que uma colectividade com parcos recursos se pode dar ao luxo de contratar jogadores para, um mês depois, estar a dispensá-los. Se isso até no Benfica é revelador de uma gestão, no mínimo, pouco cuidada, num clube como o Vitória é impensável. Será que Azenha tinha umas ideias e mudou de um dia para o outro? É o que parece! Aliás, também só assim se entendem algumas das opções tácticas que adoptou para a deslocação à Luz...

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Mas Azenha tem razão quando diz que diante do Benfica o Vitória só perdeu 3 pontos. É um pensamento correcto do ponto de vista matemático, já que seria a mesma coisa caso o resultado tivesse sido apenas 1-0 ou 2-1. Mas, psicologicamente, o abalo foi equvalente a um tremor de terra de elevada escala. Felizmente, vem aí uma paragem. Mas, mesmo assim, e não querendo fazer nenhum exercício de futurologia (sabendo também que a equipa vai passar a contar com mais jogadores nos próximos jogos), creio que muito do futuro dos sadinos na Liga se jogará já nos próximos três embates. Eu sei que estamos apenas na terceira ronda, mas se Azenha não descobrir a fórmula para acertar nos duelos caseiros com União de Leiria e Paços de Ferreira - tendo pelo meio a deslocação ao terreno do Naval -, não consigo imaginar como é que esta equipa se irá safar da descida.

Azenha tem pouco tempo para colocar ponto final nos trocadilhos com o seu nome, bem como para evitar comparações com um ex-técnico sadino que, após muito fulgor, sumiu das lides sem deixar rasto. O seu teste de aferição chegou bem mais cedo do que o previsto...

PS - Fiquei desiludido com a eliminação de Frederico Gil na ronda inaugural do Open dos Estados Unidos em ténis. Já em relação a Michelle Brito, que posso dizer? Apenas que a miúda tem alguma coisa de especial, de diferente. Que tanto lhe dá para somar disparates uns atrás dos outros, como para encetar recuperações só possíveis a quem possui um talento natural verdadeiramente invulgar. Se eliminar a 97.ª jogadora mundial já mereceria elogios, perceber que a jovem de 16 anos fez isso depois de estar a perder 1-6 e 2-4 é de ficar... sem palavras!

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