As duas melhores equipas portuguesas vão encontrar-se no próximo domingo. Frente a frente vamos ter o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato. O embate entre Benfica e FC Porto promete ser uma partida equilibrada de resultado imprevisível. A Liga não ficará decidida com este jogo, mas é certo que quem vencer sairá com o moral em alta para as jornadas que se seguirem.
O anfitrião Benfica chega a este jogo embalado por uma sequência positiva de resultados, estando a praticar um futebol bonito, dinâmico e balanceado para o ataque. O arsenal de soluções ofensivas que Jorge Jesus tem à sua disposição impressiona (Cardozo, Lima, Rodrigo, Salvio, Ola John, Gaitán, Nolito, Enzo Pérez, Kardec, Aimar e Bruno César) e tem atacado com sucesso as balizas adversárias, apresentando uma média de 2,7 golos por jogo.
É na frente que está a principal arma das águias. Sempre que a bola chega em boas condições aos seus avançados, no último terço do terreno, aumentam as garantias de êxito. É bom notar que o Benfica ainda não perdeu e marcou golos em todos os jogos disputados até agora na 1.ª Liga, o que é revelador do seu enorme poder de fogo.
Costuma dizer-se que a melhor defesa é o ataque e, na verdade, o Benfica, por via disso, também tem apresentado melhorias no capítulo defensivo. Na era de Jorge Jesus, os 9 golos sofridos em 13 partidas apenas encontram paralelo com a época em que as águias venceram o campeonato.
Do outro lado da barricada vai estar o FC Porto, que este ano se mostra bem mais consistente do que na temporada anterior. Ao contrário dos rivais, os dragões destacam-se mais pela sua solidez defensiva, sendo que não cederam qualquer golo aos adversários em 8 dos 12 jogos realizados até ao momento na Liga. Jogadores como Helton, Otamendi, Maicon e Fernando desempenham um papel muito importante na missão de manter a sua baliza inviolável.
É precisamente através da sua eficiência defensiva e forte capacidade de recuperação de bola, que os portistas têm controlado e dominado os jogos que disputam. Manietando o adversário, o FC Porto parte depois à procura de espaços que lhe permitem chegar ao golo, aparecendo aqui Jackson Martínez como a principal referência no ataque. O colombiano é uma das sensações do campeonato e os adeptos portistas têm fortes expectativas em relação à sua estreia no clássico.
Penso que a chave do jogo estará no meio-campo. Quem conseguir dominar as operações no centro do terreno, poderá ter mais oportunidades de sair vencedor deste confronto. Por isso acredito que Jorge Jesus irá fazer alterações no seu esquema. Ter apenas dois homens no meio pode ser suficiente contra a maioria das equipas portuguesas, mas face ao tridente do FC Porto (Fernando, Lucho e João Moutinho) essa estratégia pode ser letal.
Em relação aos dragões, a grande dúvida de Vítor Pereira estará na escolha do substituto de James Rodríguez (uma grande baixa), já que as opções para o ataque são mais curtas, como o próprio técnico reconheceu. O povoamento do meio campo com mais um médio como Defour ou Izmailov e a colocação de Alex Sandro a extremo (ficando Mangala a guardar a lateral) podem ser opções que o treinador tem em equação.
O clássico tem tudo para ser um belo jogo de futebol. Promete golos, emoção e duelos individuais do melhor que temos em Portugal. Dispensam-se as guerras entre dirigentes, quezílias entre jogos e os casos de arbitragem. Que vença o melhor.
O CRAQUE - Avançado de produção alta
Face à constante crítica de que não há pontas-de-lança nacionais na 1.ª Liga, não deixa de ser confortante que 4 dos 10 melhores marcadores da Liga sejam portugueses. Neste grupo, com 8 tentos apontados em 12 partidas, encontra-se Edinho. Um avançado versátil, com bom jogo de cabeça, facilidade de desmarcação e alta produtividade, já que, em média, precisa apenas de 80 minutos para marcar um golo. Aos 30 anos, está a reabilitar a carreira em Coimbra e, a continuar assim, quem sabe se Paulo Bento não acaba por reparar nele...
A JOGADA - A boa época do Belenenses
Tudo indica que, na próxima época, o Belenenses voltará a conviver entre os grandes do futebol português, já que lidera a 2.ª Liga com larga vantagem sobre a concorrência, tendo mais 16 pontos do que o Arouca, 4.º classificado. A forma como o clube preparou esta temporada merece todos os elogios. A aposta na prata da casa e em jovens valores das divisões secundárias trouxe bom futebol ao Restelo e novos talentos como Fredy, Tiago Silva, Arsénio e Filipe Ferreira. A subida será mais do que merecida.
A DÚVIDA - Ricardo Quaresma e as Arábias
Custa a acreditar que um jogador com a qualidade de Ricardo Quaresma decida jogar num clube do Dubai. O internacional português entendeu que esta é a melhor solução para a sua carreira, mas só podemos concluir daqui que os objetivos financeiros superaram os desportivos. Quaresma conseguiria lugar em várias equipas dos principais campeonatos da Europa. Em Portugal, seria uma mais-valia para qualquer um dos três grandes. Depois desta decisão, será que ainda voltará à Seleção Nacional?