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Inquéritos para entreter

Como todos sabemos desde sempre, por cá um clássico futebolístico não se esgota dentro do relvado. Agora, pelos vistos, começamos a perceber que também não termina quando o árbitro apita pela última vez. O Benfica-FC Porto acabou há muito, mas a conversa não tem fim. E, desta vez, a polémica principal nem está relacionada com o que se passou em campo. O busílis é outro: os incidentes protagonizados por pseudo-adeptos.

Polícia, Benfica e FC Porto já descartaram responsabilidades, enquanto Liga e Governo vão proceder aos tradicionais “inquéritos à portuguesa” que, para não variar, vão servir apenas para entreter o povo e justificar o salário de umas quantas figuras. Resultados efectivos, duvido que tenhamos. Esse, aliás, não é um mal exclusivo do futebol. O que para aí mais há são situações do género, com muita parra e pouca (ou nenhuma) uva. Basta ver televisão, ler jornais ou não ter estado em Marte nos últimos tempos para o saber.

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Mas, se todo este processo do clássico me causa repulsa, o que mais me indigna é ver a forma absurda como a culpa da situação é desviada para quem, no máximo, poderá ter facilitado, mas nunca encorajado, sugerido ou apoiado as atitudes bárbaras de uns quantos dementes. Tal como opinou o meu camarada Nuno Martins, na Linha Directa, a responsabilidade dos distúrbios de domingo não cabe ao Benfica, ao FC Porto ou à Polícia, mas sim a um contingente de malfeitores que, pela enésima vez, fez questão de demonstrar que a sua paixão não é pelo futebol, nem tão-pouco pelo clube que dizem ser seu. Esse pessoal só gosta de confusão, de se aproveitar do espectáculo mediático para promover os seus ideais violentos. Enfim, são uns estúpidos.

Faço questão de esclarecer que este não é um problema de um só emblema, pois se dentro do campo foram uns a ter atitudes selvagens, cá fora foram acompanhados pelos outros. Há gentalha sem nível nas claques dos três grandes (e até em agremiações mais pequenas). Essa é que é a realidade. E a culpa dos seus actos não é de ninguém a não ser dos próprios. Num assalto a um banco, a responsabilidade deverá ser atribuída a quem o construiu naquele local? Um peão atropelado numa passadeira é culpado por o condutor não ter parado? Não me parece...

No meio desta embrulhada, convém é saber separar o trigo do joio. Nem todos os membros de uma claque são marginais. Os verdadeiros adeptos podem e devem continuar a ir ao futebol, ajudar à festa, independentemente do seu clube jogar em casa ou fora. Os outros, os pseudo-adeptos, é que não fazem falta. Ver os jogos pela televisão é aquilo que merecem. E, de preferência, na esquadra da sua área residencial. Foi assim que se limitou o “hooliganismo” em Inglaterra. Está na hora de importarmos a ideia.

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