Muito se tem falado, em jeito de brincadeira, da queda de Paulo Bento para utilizar a expressão "tranquilidade". Coincidência ou não, o que se tem observado é que o conjunto de Alvalade teima em estar intranquilo na hora da verdade, algo que, de repente, deixou o Sporting a olhar para a Taça de Portugal como oportunidade de salvar uma temporada que podia ter sido sensacional mas que, de momento, está bem aquém dos desejos dos adeptos.
Durante alguns meses, os responsáveis sportinguistas procuraram aligeirar os resultados negativos (demasiados na Liga, nomeadamente na condição de visitantes) com o facto de a equipa estar na luta em várias frentes. E, objectivamente, isso correspondia à verdade. O problema é que, com o decorrer da temporada, as várias apostas têm sido perdidas. E com excepção do Campeonato - onde o Sporting, bem como todos os restantes emblemas, foram incapazes de ameaçar convictamente a superioridade portista -, o que surpreende é o facto de a equipa falhar quando, em teoria, até possui vantagem.
Na Taça da Liga, prova em que o Sporting logrou chegar à final após inúmeros sobressaltos, os leões tinham um adversário teoricamente acessível no despique pelo troféu. Só que a exemplo de duelos recentes, o Vitória de Setúbal levou a melhor. Agora, na Taça UEFA, depois de conseguir sair da Escócia com um sempre agradável nulo, a equipa claudicou em casa, acabando afastada por um conjunto com alguma qualidade, é certo, mas que podia e devia ter sido "dobrado" por um Sporting a jogar aquilo que está ao seu alcance.
Nestas alturas de insucesso, vem sempre à baila a conversa da juventude. Sinceramente, considero um tema esgotado e sem sentido. Se o Sporting pensa que tem uma equipa com muita gente jovem - e de facto tem -, então que trate de conseguir reforços mais experientes. A questão, antecipo desde já, é saber se esses futebolistas mais batidos terão a qualidade necessária para, mesclados com os talentosos jovens, lograr uma equipa forte, coesa e, acima de tudo, eficiente nos momentos determinantes.
O que mais surpreende, porém, é ver a forma aparentemente tranquila com que Paulo Bento e os dirigentes reagem às derrotas. Falta de sorte, inexperiência, nervos, erros pontuais, deslizes arbitrais... enfim, tudo serve para explicar os tropeções. Pelos vistos, só não há culpas dentro de casa. O trabalho está todo bem feito, as aquisições foram acertadas e as opções correctas. Mas, será mesmo assim? A avaliar pela reacção de alguns adeptos... parece que não!
PS - Filipe Soares Franco desmente que tenha afirmado, na Escócia, que preferia o segundo lugar na Liga à conquista da Taça UEFA. Eu não estive lá, mas era capaz de jurar que o vi (e ouvi) dizer isso na televisão e rádio, assim como li o mesmo nos jornais...
PS 1 - A meia-final da Taça de Portugal da próxima quarta-feira pode vir a ser um grande jogo, mas também pode não passar de um duelo entediante entre duas equipas desesperadas a tentar salvar a face numa época fraquinha. E o pior é que quem ganhar... ainda terá de derrotar FC Porto ou V. Setúbal para arrebatar o troféu, curiosamente os clubes que já seguraram Campeonato e Taça da Liga!