Primeiro Carlos Carvalhal, agora Jesualdo Ferreira. Com a época futebolística ainda relativamente distante do final já se sabe que dois dos três grandes nacionais vão mudar de treinador.
No Sporting, bastou ver a forma como o clube (não) apresentou o técnico, bem como a sensacional duração do contrato (meia dúzia de meses), para se perceber da pouca (ou nenhuma) fé dos responsáveis em relação à solução que, após a nega de Villas-Boas, encontraram para guiar a equipa até ao final de uma temporada paupérrima. Sobre este assunto, aliás, é importante realçar que, antes das críticas de adeptos e imprensa, foram as "altas esferas" leoninas - ao tratar o treinador sem a dignidade merecida - que deixaram Carvalhal à sua sorte. Não faço ideia onde é que Bettencourt copiou esta forma de gestão. No FC Porto, cujo modelo tanto elogia, não foi de certeza.
Falemos, então, dos dragões que, perante a surpresa geral, deixaram a discussão do título nacional muito cedo entregue apenas a Benfica e Sp. Braga. Pese as promessas de Pinto da Costa à memória de Pedroto ou a posição de força tomada pelo plantel logo após o conhecimento dos castigos a Hulk e Sapunaru, a verdade é que os portistas, nos últimos meses, raras vezes foram a equipa forte, intimidadora e eficiente de outros tempos. Assim, chegar ao penta há muito passou a ser uma miragem. O que se tem visto, em diversas partidas, é um conjunto sem criatividade, alma e, por vezes, até classe. Há quanto tempo não se observavam estes problemas na casa azul e branca? Há muito...
O FC Porto tem, objectivamente, atenuantes que ajudam a explicar o final de um ciclo que, como os anteriores, foi bastante ganhador. O passar a vida a vender as suas principais figuras; o ter perdido - de um momento para o outro - um "ás" como Hulk ou o desacerto em várias contratações foram obstáculos demasiados para um treinador que, na minha opinião, aguentou mais 1 ano que o previsível. A época passada, recorde-se, Jesualdo esteve de "malas aviadas" mas, quando a queda parecia inevitável, logrou dar a volta (com mestria) à situação. Agora, não conseguiu, pese ter tentado inventar tudo, conforme foi visível, por exemplo, com a titularidade de Nuno André Coelho no Emirates.
Com o campeonato perdido, o treinador tinha na "Champions" a sua única defesa. E eu, assumo, acreditava que o FC Porto seria capaz de se aguentar em Londres. Mas, não foi nada disso que sucedeu. A equipa manteve a fragilidade defensiva que, dias antes, esteve na origem do empate caseiro com o Olhanense, não conseguiu aproveitar as poucas ocasiões que construiu e, pior que isso tudo, revelou uma gritante debilidade psicológica. Mais que a eliminação (e quase confirmação da ausência na liga milionária da próxima época), ficou evidente diante do Arsenal que a gestão de Jesualdo à frente do dragão tem os dias contados. Por outras palavras: durará até ao fim da época.
Agora, mais importante que identificar o que correu mal, é hora de perceber quem será o senhor que se segue. Pinto da Costa, tenho a certeza, há muito está em campo. E ficarei surpreendido se a escolha não recair num português. A "nação portista" divide as apostas entre os "filhos" Domingos e Jorge Costa. Acredito que são dois bons candidatos, mas algo me diz que Paulo Bento, esse mesmo, também é um nome a ter em conta. Veremos...