Jesus apagado da história

Jesus apagado da história

Em final de contrato com o Benfica, Jorge Jesus decidiu prosseguir a sua carreira no Sporting. Parecendo que não, ainda existem homens livres que teimam em pensar pela própria cabeça... As ondas de choque provocadas pela escolha ainda se sentem e irão fazer-se sentir, creio, ao longo de toda a próxima época, pelo menos. É natural. É o resultado de uma rivalidade centenária aliada às paixões exacerbadas que só o futebol consegue provocar neste país. Se é perfeitamente compreensível que a reação dos adeptos seja extremada (para um lado ou para o outro), já os dirigentes devem procurar ser mais frios, mais racionais, por forma a evitarem males maiores (e este fim de semana há 2 jogos entre Benfica e Sporting na final do futsal…).

A forma como o Benfica ontem reagiu a esta situação foi duplamente deselegante. Primeiro, retirou a imagem de Jesus do mega expositor de comemoração do bicampeonato, situado na loja do clube. Quis apagar o treinador da história. O treinador mais titulado da história do Sport Lisboa e Benfica! Este tipo de ações nem sequer é original. Josef Staline, antigo líder soviético, também tentou apagar a figura de Léon Trotsky. Fê-lo desaparecer de inúmeras fotografias, antes mesmo da invenção do Photoshop. Para efeitos históricos, não passou de uma decisão patética.

PUB

A segunda má reação surgiu através do homem da propaganda, ou comunicação, se preferirem. João Gabriel (é a ele que me refiro) conhece muito bem todo o processo que levou à decisão final de Jesus. Sabe que algumas das frases que partilhou nas redes sociais estão bem longe da verdade. Mas consigo compreender por que o fez. Nesta altura é preciso muito e bom trabalho de "spinning": distorcer a realidade e fazer passar para a opinião pública a história da forma mais conveniente aos interesses do clube. Ainda assim, a decisão de Luís Filipe Vieira podia, e devia, ter sido defendida sem tentar assassinar o caráter de Jesus.

Neste processo houve um dano colateral: Marco Silva. Gostei de ver/ler/ouvir vários adeptos do Sporting defender a continuidade dele no comando da equipa. É sinal que são gratos a quem lhes fez bem. Marco não foi campeão, mas foi um campeão na forma como se comportou.

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB