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Jogo limpo

Jogo limpo

As contas dos clubes de futebol são turvas como azeite – e as suas verdades também acabam por vir ao de cima. O Sporting decidiu mostrar tudo. O resultado foi o que se comentou há uma semana: uma auditoria que confirma a “falência técnica” há muito conhecida mas por valores piores do que se supunha. E assim a conversa passou a ser outra: a de que o Sporting não está pior que os outros, apenas foi mais ingénuo. Pois foi.

A ideia foi ontem defendida neste jornal pelo sportinguíssimo Carlos Barbosa da Cruz, que na sua coluna semanal explicou que o Sporting nunca devia ter feito aquele exercício de striptease, que considerou ingénuo e apelidou de “tentação do abismo”, pois expôs fragilidades sem benefício em troca.

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Esta posição é representativa de muitas críticas de sportinguistas da última semana, em parte pelo vexame que esta auditoria produziu. O principal aspeto desta crítica a uma gestão que foi “mais papista que o Papa” é a desigualdade de transparência face a outros clubes, nomeadamente o Porto e o Benfica. E é aqui que o Governo devia atuar: na transparência.

Por estes dias, a Federação, a Liga e os clubes estão a querer renegociar o Totonegócio, que foi na sua génese, nos anos 90, uma forma de perdão de dívidas fiscais de clubes de futebol (que seriam pagas por receitas do Totobola). Nem que seja por isso, há razões de exigir a transparência total numa atividade que é também um negócio, um negócio onde muita gente ganha e o clube perde sempre. Com esta auditoria, o Sporting ganhou em credibilidade o que perdeu em crédito. Como numa vitória moral, a honra enrijece mas não marca pontos. Porto e Benfica (e todos) deviam ser obrigados a passar pelos mesmos filtros. A bem dos credores, dos acionistas e dos adeptos. E, já agora, pelo ar que respiramos.

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