Jorge Jesus é cérebro e muito mais

Jorge Jesus é cérebro e muito mais

À semelhança do que sucede com todas as figuras marcantes, Jorge Jesus tem sido avaliado com a superficialidade desdenhosa de quem não perde uma ocasião para desvalorizar o seu êxito. Por estilo, mas também por resultados, é um mobilizador das mais misteriosas e profundas emoções coletivas das entidades que representa. O povo ama-o como profeta ganhador, defensor de sentimentos e tradição; como general do exército que representa é um polo de amor e ódio, próprio das personagens a quem ninguém fica indiferente. Ele é o egocêntrico, o provocador, o indomável, o extravagante, o caprichoso, o narcisista… Mas é, acima de tudo, o melhor treinador da última década em Portugal, em pleno processo de consolidação desse estatuto. JJ está a apetrechar-se com as melhores estatísticas (ninguém venceu tanto), as melhores opiniões (estimulou o futebol mais empolgante dos últimos anos) e os sentimentos mais fortes (ídolo e vilão no Benfica, tem agora uma aura divina no Sporting).

JJ é cérebro e muito mais. É um treinador da cabeça aos pés, que idealiza o treino e operacionaliza conceitos de trabalho no jogo; relaciona-se para dentro como um mestre e comunica para fora como homem do povo; domina cada passo da construção e crescimento da equipa e ainda analisa adversários com minúcia e domina todos os fatores relevantes na função que desempenha. É um autodidata que absorveu informação durante anos como futebolista e adaptou-a a princípios personalizados, defendidos por uma equipa da sua inteira confiança e com a qual estabeleceu cumplicidade absoluta. Era jogador e já pensava como treinador; limitava-se a testar competências e já superava o conhecimento dos consagrados. Dizia-se que só tinha temperamento, discurso e saber para gente e clubes do meio da tabela para baixo, mas já todos sussurravam que tinha dimensão para as grandes potências. Na luta por prestígio e reconhecimento universais não sente atração pelo estrangeiro.

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Disse um dia Manuel Alegre, sem pensar em futebol, que a grande aventura também pode ser ficar. JJ só trocará um grande português por colosso europeu que dificilmente lhe abrirá as portas, convicto de que vai deixar marcas indeléveis na história do campeonato nacional. Depois de seis anos ao serviço do Benfica, nos quais travou a hegemonia do FC Porto, elevou para 11 (dez na Luz e a Intertoto no Sp. Braga) os títulos conseguidos, tendo sido campeão nacional por três vezes, já atingiu um patamar de excelência ao qual só Otto, Riera, Guttmann, Hagan, Pedroto, Eriksson, Artur Jorge, Toni, Jesualdo e Mourinho têm acesso. Se as coisas lhe correrem bem no Sporting, isto é, se aumentar para quatro as vitórias na Liga, deixará quase todos para trás - só Otto Glória, o brasileiro que foi campeão em cinco ocasiões e tem 11 títulos, ficará à sua frente.

Os efeitos da saída para Alvalade estão à vista. Sim, deve ter sido complicado viver seis anos a seu lado, com a obrigação de lhe satisfazer todas as exigências; de lhe aturar presunções e manias; de o ver intrometer-se em todas as atividades de cada departamento; de ver a paciência esgotar-se não só pelo estilo de atuação mas também por atitude, reivindicação e intransigência. Mas pior ainda é lidar com o seu fantasma conquistador e ser confrontado com o rasto vitorioso que dimensionou uma estrutura de apoio moderna, sofisticada e de cunho científico - muitos sugeriram até que a máquina do Seixal, de tão perfeita e avançada, explicava o êxito com independência do líder máximo. JJ saiu do Benfica há menos de quatro meses e já venceu por duas vezes o gigante que ajudou a construir. Se o fizer numa terceira ocasião, na Taça de Portugal, a 21 de novembro, as consequências são imprevisíveis: na Luz, em Alvalade, na Liga e até no futebol português. *

Olhos postos em Jorge Simão

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O bom treinador também é aquele que sabe adaptar-se a todas as circunstâncias 

Jorge Simão está a graduar-se como treinador de topo. No Belenenses teve a inteligência para perceber que o êxito passava pela continuidade do trabalho de Lito Vidigal e não pela introdução de ideias próprias (e deixou a equipa na Europa); no P. Ferreira construiu o edifício segundo os seus padrões táticos, técnicos e estéticos (e tem a equipa em 5.º lugar). É um treinador para seguir com máxima atenção.

O papel principal de Tiago Caeiro

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Ser habitualmente suplente não está ao alcance de qualquer jogador

Tiago Caeiro é especial pelo espírito, pelas características técnicas e pela utilidade. O suplente costuma ser o primeiro a tomar banho e a pôr em causa os elos de ligação ao grupo; zanga-se e age para que todos entendam que está contrariado e não vive feliz. Tudo ao contrário do ponta-de-lança do Belenenses, que aceitou um papel, sente-se confortável nele e continua a ser decisivo. É uma bênção ter jogadores assim.

Nolito tornou-se uma referência

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Portugal foi etapa na vida de uma das estrelas mais apetecíveis da atualidade

Nolito é hoje um dos grandes jogadores do futebol europeu. O avançado frenético e talentoso - decisivo mas disperso, que brilhava em ações avulsas e muitas vezes descontextualizadas do jogo - que passou pelo Benfica está transformado num dos melhores extremos do Mundo e referência do futebol atual. Internacional espanhol pelo Celta Vigo, é um dos alvos de Luis Enrique para reforçar o Barcelona.

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