Klinsmann, o Provocador

O campeão do Mundo e da Europa, Jurgen Klinsmann, esteve entre nós a propósito do sorteio do Euro'2004 e deixou um repto à fina-flor do futebol português: "Provem que são a geração de ouro!" O desafio só pode ser encarado como mais uma oportunidade, e a última, para que a nata dos jogadores nacionais assuma, enfim, uma postura de brio e determinação que a possa deixar ligada a um êxito histórico do nosso futebol. Se Scolari chegar às meias-finais do Euro e for convidado a continuar para preparar o Mundial de 2006, a sua principal tarefa - como o esquecimento a que condenou Vítor Baía, João Pinto ou Sérgio Conceição, por exemplo, deixa entender - será a de levar a cabo uma profunda renovação, da qual talvez só Luís Figo (se ele quiser) e Pauleta (se conseguir aguentar-se no top) consigam escapar. Até nisso, a geração de ouro tem a ganhar: uma grande prestação no Euro pode valer o passaporte da FPF por mais dois anos. E, já agora, silenciar a arrogância, profundamente germânica, do sr. Klinsmann.

Maniche

PUB

Pode ser mais um dos méritos de Pinto da Costa e de José Mourinho, mas foi Valentim Loureiro quem primeiro descobriu essa autêntica pepita de ouro que é a recuperação de jogadores dados por acabados noutros clubes - ou mesmo "assassinados" como foi o caso de Maniche. Foi com essa filosofia de dona-de-casa remediada que o nosso major construiu o Boavista dos tempos modernos. O FC Porto segue de há muito essa política - foi assim que Nuno Valente se tornou um jogador de selecção, foi assim que se salvaram Deco, Tiago e Ricardo Fernandes, é assim que temos um Maniche capaz de marcar aquele fabuloso golo ao Gil Vicente! Enquanto outros, claro, torcem a orelha...

Camacho

A brincar a brincar e o Benfica já teve ontem na Luz 26 mil espectadores e pela primeira vez esta temporada ultrapassou a assistência do Sporting: 22 mil pessoas estiveram a noite passada em Alvalade. E muito do que o futebol do Benfica vem conseguindo se deve à competência e ao "nervo" do treinador espanhol. No banco, Camacho faz lembrar o seu compatriota Paco Fortes: gesticula, encolhe os ombros, fecha os olhos, dá, ao longo do jogo, sinais claros do seu inconformismo. E galvaniza. É dessa garra que o Benfica tem andado carente e poucos técnicos teriam perfil para dirigir este Benfica de hoje - um nobre ferido no seu orgulho e à espera que o convençam a acreditar em si.

PUB

Hugo Viana

Reagindo à sua escassa utilização por parte de Bobby Robson, Hugo Viana manifesta-se desejoso de deixar Newcastle, parecendo assim mais interessado num percurso de tipo Hugo Leal do que num patamar à Figo. Ou então, o médio luso estará a reagir a "quente", não entendendo o que são as equipas treinadas pelo antigo técnico do Sporting e do FC Porto - máquinas de jogar, piores ou melhores, mas sempre muito competitivas. E tendo começado muito mal a época, o Newcastle já está a dois pontos do quarto posto. Desistir de lutar por um lugar no onze e deixar de ter Robson e Alan Shearer como referências pode ser uma decisão que reduzirá à vulgaridade a promissora carreira de Hugo Viana.

Jesus Correia

PUB

Vale mais recordarmos o que foram as pessoas em vida - e perpetuar assim a sua passagem pela Terra - do que ficarmos a chorar a sua morte, fiéis ao velho estilo lusitano do "coitadinho, era tão boa pessoa". Foi esse o motivo da homenagem de ontem a Jesus Correia nas colunas de Record - não uma deferência do jornal, mas uma obrigação pura - e que hoje aqui prossigo, seguro de que há memórias tão inesgotáveis quanto a grandeza de quem queremos recordar. E o popular Necas de há meio século não acabou ontem, com o seu funeral, tal como a sua vida desportiva não terminara com o último título, em 1956, e como o seu exemplo não se extinguirá amanhã, nem nunca, tão forte é a imagem que nos legou. É que Jesus Correia foi também um campeão do desportivismo, um homem que via o lado positivo das coisas, pronto a desculpar, a compreender, a estimular. Falava do seu tempo sem denegrir os êxitos recentes, sem diminuir o que alcançaram os que vieram depois. Ele era pelo "fair play", pela beleza da competição, pelas virtudes do desporto. Acreditava no futuro, entendia - porque era igualmente um sábio - que pode não haver ninguém igual a nós, mas há sempre quem faça melhor. Obrigado, Necas!

António Sousa

O contrato do Belenenses com "Bogi" veio levantar de novo a questão: há ou não treinadores competentes nascidos em Portugal? Olhando para as carreiras interna- cionais de Carlos Queiroz e José Peseiro, Nelo Vingada, Humberto Coelho, Manuel José, Artur Jorge e Raul Águas, sete! - para referir os que estão de momento a trabalhar, a resposta só pode ser sim. E depois do "crescimento" de Jaime Pacheco, aí temos o brilharete do amigo António Sousa, que, aliás, andava há anos a "prometê-las" no Beira Mar. Com Toni em "convalescença", confesso que gostaria de ver técnicos como Manuel Fernandes ou Eurico Gomes de novo no activo. Se não falassem português, talvez.

PUB

Perguntas leva-as o vento...

1. O que têm em comum os talentosos Simão Sabrosa, Pedrito de Portugal e Luís de Matos? Nota - Esta pergunta dirige-se preferencialmente a jornalistas...

2. Que treinador português esteve quase contratado pelo Belenenses antes de aparecer o simpático "Bogi"?

PUB

3. A que se deve a súbita vocação jornalística da lindíssima (e benfiquíssima) Marta Cruz?

4. Quem é a "pessoa muito querida" que Abel Xavier gostaria de ter reencontrado no passado domingo, dia do seu 31.º aniversário?

5. Quantos sportinguistas que ontem aplaudiram Pedro Barbosa, quando foi substituído, seriam os mesmos que o assobiaram freneticamente na noite do banho turco?

PUB

O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...

Deixe o seu comentário
PUB
PUB