Várias suspensões antes da prova começar e controlo positivo do vencedor no final. Este é, em breves palavras, o resumo da última edição da Volta a França em bicicleta. Uma verdadeira vergonha que, talvez de forma irreversível, deite por terra o prestígio alcançado pelo Tour ao longo de décadas.
Já aqui defendi que o ciclismo precisa, quanto antes, de uma viragem significativa. É preciso parar, reflectir e ter a coragem suficiente para banir todos os batoteiros. E se eles são muitos... Sim, eu não acredito que num pelotão de cerca de 200 homens apenas uma dúzia recorra a substâncias dopantes para passar três semanas a subir e descer montanhas. A maioria, com toda a certeza, não se "alimenta" só com bifes e batatas fritas. A questão, é saber quem é apanhado primeiro; quem tem o mais sofisticado suporte clínico por trás ou, pura e simplesmente, quem tem mais ou menos sorte para iludir as brigadas da União Ciclista Internacional.
Os afastamentos temporários não resolvem o problema do ciclismo. Apenas o adiam. Quantos atletas já foram apanhados nas malhas do "doping" mais de uma vez? Muitos!
O ciclismo precisa de afastar, sem contemplações, todos os impostores que não se cansam de denegrir a imagem da modalidade. É fulcral, como diz a sabedoria popular, "separar o trigo do joio". Caso contrário, aos olhos da opinião pública todos os ciclistas e directores desportivos não passam de um bando de batoteiros que, em busca de protagonismo e dinheiro, não hesitam em melhorar os seus feitos desportivos através de meios fraudulentos. Tudo com o auxílio de uns quantos médicos que, indiscutivelmente, deviam ser presos por alinharem nestes esquemas tenebrosos.
Se o caminho não passar pela simples irradiação de quem fizer batota, as alternativas serão escassas: o fim (temporário que seja) da modalidade ou, de uma forma radical, ignorar os controlos "antidoping". É que acreditando que a maioria dos ciclistas "pisa o risco", é óbvio que os melhores acabarão sempre por ganhar. E as questões de saúde? Pois, isso é outro problema, mas pelos vistos poucos se lembram do tema quando resolvem tomar ou injectar os produtos mais estranhos. Qualquer adulto tem de ser responsável pela suas atitudes. E convém pensar nelas antes e não depois...