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Laszlo Bölöni e Paulo Bento

1 - Em Outubro de 2001, quando Bölöni afirmou, depois de empatar em Alvalade com o Santa Clara, que não dispunha de varinha mágica para resolver os problemas da equipa, profetizando até que iriam continuar, o prognóstico revelou-se catastrófico. Poucos dias volvidos, em Paços de Ferreira, após cerca de vinte minutos de sofrimento, o Sporting embalou para vitória expressiva (6-0), explicável por factores tão distantes entre si como o fortuito (inexplicável à luz da razão) e a qualidade dos jogadores (esse tesouro cujo valor ainda explica, em absoluto, por que motivo os melhores vencem mais vezes). Cerca de um ano depois, no regresso a Paços de Ferreira, o romeno voltou a ser afectado pela surpresa (desta vez perdeu) e a medir mal as palavras (agora traduzidas num diagnóstico desenquadrado e leviano).

2 - Quando o campeão perde por 0-4 no terreno de uma equipa que só por meia dúzia de vezes atingiu a elite do futebol português, é difícil aceitar que a responsabilidade do descalabro se reduza a uma parte do colectivo. Num jogo em que a defesa sofre quatro golos, o ataque fica a zero e a produção global se revela escassa, só por precipitação ou segundas intenções o treinador pode dar como explicação para o sucedido, sacudindo escandalosamente a água do capote, que o meio-campo falhou. Bölöni não esperou pela demora e ouviu a voz serena, suportada em ponderação, razão e domínio da matéria, daquele que é o seu jogador mais hábil a lidar com as palavras, sobretudo de cada vez que é solicitado a pronunciar-se sobre conceitos tácticos e de organização das equipas de que faz parte.

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3 - Paulo Bento não se iludiu com a notória evolução operada a partir do contacto com a liga espanhola, que o conduziu, entre outras coisas, ao estatuto de melhor médio-centro da I Liga 2001/02. Porque a veterania é uma parceira inevitável e o futebol não se esgota na carreira de jogador, manteve olhos e ouvidos bem abertos para acrescentar conhecimentos ao disco rígido; porque já terá tomado a opção quanto ao futuro, definiu referências e criou um estilo; como acha (e bem) que o futebol deve ser discutido com elevação, resolveu participar na cruzada de quem se dispõe a abordá-lo sem preconceitos e com uma linguagem acessível – fê-lo com brilho durante e depois do Mundial, lembram-se? O seu discurso relacionado com o jogo frente ao Paços foi exemplar, principalmente quando respondeu (sem responder) ao treinador.

4 - Bölöni esclareceu depois que, afinal e ao contrário do que mostrara - mas isso já sou eu a dizer... –, sabe quais são as suas responsabilidades e que numa equipa todos perdem e ganham. Só deixou reparos em relação à falta de um onze base como obstáculo ao funcionamento do colectivo. Para o treinador ele não tem de existir. Tem razão o treinador campeão, vencedor da Taça e da Supertaça – parece que Paulo Bento não se fez entender. Ao Sporting tem faltado a âncora de uma ideia sólida, a coerência de um sistema táctico (4x3x3, 3x4x3, 5x3x2, 4x4x2...) e a definição clara das referências individuais, o que é mais grave. Onze base não tem o Boavista, por exemplo, que não padece desses males porque, assente na rotatividade, parte de um sistema assimilado, tem uma estrutura alicerçada em organização defensiva perfeita e definiu claramente funções, obrigações e expectativas para cada um dos elementos do plantel.

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