Lateral de eleição

Lateral de eleição

Se fizéssemos a eleição do melhor lateral-esquerdo da Liga portuguesa do século 21 encontraríamos apenas dois nomes capazes de conquistar tal galardão. Passaram pelo nosso campeonato durante este período outros jogadores de classe, é verdade, mas só Alvaro Pereira e Fábio Coentrão reuniriam as condições para figurar entre os eleitos. O português saiu para o Real Madrid por 30 milhões de euros, enquanto o uruguaio, dois anos depois, vai para o Inter Milão por apenas metade desse valor... e se forem cumpridos determinados objetivos.

Os tempos são de crise, o FC Porto não tinha efetuado qualquer venda avultada neste defeso, existe a aposta clara em Alex Sandro e ninguém no seu perfeito juízo desembolsaria nesta conjuntura 30 milhões de euros, o valor da cláusula rescisão do internacional uruguaio, por um defesa-lateral. Todos estes fatores são compreensíveis.

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O que já custa perceber, no entanto, é o porquê de o FC Porto ter rejeitado, na temporada passada, uma proposta do Chelsea de 22 milhões de euros, bem como o “bluff” de Pinto da Costa em pleno defeso, acenando com as irreais cláusulas de rescisão dos principais jogadores, ao mesmo tempo que desencorajava eventuais pretendentes a deslocarem-se a Portugal para encetaram negociações. Não se tratava afinal, e ao contrário do que afirmava o presidente dos dragões, de uma mera questão de transferências bancárias. O líder portista esqueceu-se, talvez, que ninguém está acima do mercado e da velha mas sempre atualizada lei da oferta e da procura.

À parte dos efeitos desportivos que a saída do uruguaio provocará no FC Porto, este negócio indicia ainda a existência de um outro fenómeno para as bandas do Dragão. Tanta pressão Alvaro Pereira exerceu que acabou por vencer os dirigentes pelo cansaço e foi transferido por uma verba... improvável. Só que desta feita não estão em causa os valores astronómicos de outrora. A improbabilidade é outra. O dinheiro que entra no Dragão fica aquém da categoria que Palito sempre demonstrou.

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