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O secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, manifestou-se favorável a que Liedson, num futuro próximo, possa representar a Selecção Nacional. Segundo o político, se um cidadão naturalizado tem legitimidade para votar, também deverá poder participar numa representação nacional. É um argumento. Não o subscrevo, como já defendi neste espaço inúmeras vezes (abordando o caso do avançado leonino e não só), mas respeito-o e até o considero pertinente.
Mas, esta quinta-feira, Laurentino Dias foi mais longe quando instando a falar sobre o tema. E depois de "legitimar" uma eventual chamada de Liedson, acrescentou ser necessário separar as responsabilidades do estado e das federações em matéria de naturalizações, alertando para o facto de se correr o risco de este tipo de situações se generalizarem. "Compete às federações fazerem essas opções e criarem mecanismos que, naturalmente, não permitam que se transforme uma seleção nacional de Portugal numa seleção nacional de portugueses não nascidos em Portugal", afirmou.
Depois de ler estas palavras, confesso, fiquei algo baralhado. Laurentino considera que todos os naturalizados - desde que em condições de votar... - podem representar uma qualquer selecção nacional mas, ao mesmo tempo, mostra-se desagradado com a possibilidade de Portugal, a qualquer momento, poder apresentar uma selecção, desta ou daquela modalidade, recheada de "portugueses não nascidos em Portugal".
Qual será, no entender de Laurentino, um número razoável de naturalizados por selecção? Tendo em conta que estamos a poucos dias de ver Deco, Pepe e Liedson a jogar juntos na selecção de futebol, três - pelos vistos - não o incomoda. Mas, se 3 em 11 (ou em 18 se alargarmos a lista aos suplentes) não dá uma percentagem grande, se o mesmo número se aplicar ao basquetebol ou ao hóquei em patins (onde só jogam 5 atletas de cada vez) a coisa já passa a parecer mal?
Sei que, para muitas pessoas, a questão das naturalizações se resume, essencialmente, ao número de atletas envolvidos nos trabalhos de uma selecção. Basicamente, o assunto define-se assim: "está tudo bem, desde que não sejam muitos". Volta a ser um argumento como outro qualquer. Para não variar... discordo! Para mim, o problema não é o número, mas sim a questão de princípio, embora entenda que quantos mais naturalizados uma selecção tiver... menos portuguesa parece.
Mas, já agora, gostava que Laurentino Dias me explicasse como é que, aceitando naturalizados nas selecções, se pode, de seguida, impôr um limite? Vamos imaginar que, no futebol, se estabelece que só podem alinhar 3 naturalizados. Tal significa que, mantendo Pepe, Deco e Liedson, Carlos Queiroz ficaria impedido de chamar qualquer outro? Mas, se o tal "extra" também puder votar - e se o treinador o considerar essencial para a equipa -, porque raio será tratado de forma discriminatória e terá de ficar de fora?
A terminar, gostava ainda de vincar mais uma diferença de pensamento em relação a Laurentino Dias (e a muitas outras pessoas). A mim não me causa alergia alguma ver uma selecção nacional repleta de "portugueses não nascidos em Portugal". Torço o nariz é a uma selecção nacional recheada de atletas que não nasceram portugueses, que não são filhos ou netos de portugueses e que nem sequer contraíram matrimónio com portugueses. Nascer fora de Portugal não é entrave algum. Para mim, filho de portugueses, até pode nascer na Lua que, se assim o desejar, será sempre português...